27 janeiro 2005

Efeitos secundários de ir ao cinema

Será óbvia a distinção entre ficção e realidade? Será que, depois de irmos ao cinema, conseguimos encarar a “vida real” da mesma forma? Se o filme for de 1975 e tiver o título Jaws, a resposta é não. Aliás, esqueçam a tranquilidade que costumava fazer parte das idas à praia. O mais certo é que passem a ver todos os documentários sobre tubarões brancos e que os imaginem a rondar os vossos pés de cada vez que se aventurarem num mergulho.
O cinema tem destas coisas. Uma película pode mudar a nossa maneira de pensar e de viver. Às vezes, fá-lo de uma forma tão subtil que nem nos apercebemos disso. E valerá a pena ver um filme se já sabemos que ele pode influenciar a nossa vida? Claro que vale! Perder uma película como Jaws, realizada por Steven Spielberg, é que me parece incompreensível.
Desenganem-se se estão convencidos de que se trata unicamente de uma narração de terror. Jaws é uma história sobre homens, inseridos num conflito de interesses, que aprendem a lidar com os seus próprios medos. O espectador, preso à cadeira, assiste a esse processo de aprendizagem que acaba por se transformar num arrepiante jogo de imagens e de sons.
Gostaria ainda de aconselhar um outro filme. Refiro-me a Open Water, distribuído recentemente nos nossos cinemas. Apesar de ter passado um tanto ou quanto despercebido, Open Water surge como uma agradável surpresa para todos os apreciadores de fitas rodadas em alto mar e guarnecidas com belos exemplares dessas criaturas terríficas. Imperdível!

4 comentários:

Rodrigo disse...

Ninguém tem medo de tubarões hoje em dia. O aquecimento global e as chuvas ácidas - ou o que quer que esteja na moda esta semana - tratam disso. O terrorismo só assusta americanos e gente que quer ser americana, por isso estamos todos safos até daqui a 10 anos, quando o mundo acabar ou assim. Tubarões é que não. Especialmente tubarões quase a dobrar o cabo dos trinta (gaita, sou mesmo poético nestas metáforas).

alex disse...

Sinceramente não entendo, como é que a actriz que dá (o) ;)corpo à primeira cena do ataque do Jaws, permanece na água quando ouve aquelas primeiras notas da música. Tan tan tan tan tan... Se eu ouvisse isto, nem que fosse na banheira, dava um pulo e nunca mais me apanhavam dentro de água:)
De facto é difícil encontrar muitos outros filmes que tenham marcado de forma tão intensa uma opinião pública. O até então desconhecido e pouco mortal tubarão branco, passou a povoar o nosso imaginário de terror e a castrar a nossa espontaneidade na exploração do mar.
Pena é que os "Jaws" seguintes, já cheirem a robot submarino de plástico, programado para atrair a receita da venda de mais uns quantos milhões de bilhetes de cinema. Porque é que as sequelas raramente são tão boas quanto o original? Porque são cópias de um original? Ou será que somos nós, que não somos nada originais ao caímos sempre na ideia gasta de que aquilo que era é que era bom?

Brasil disse...

Quado vi o Jaws pela primeira vez tinha mais ou menos 10 anos, e ainda hoje me lembro da cena do tubarão a trincar o barco inclinado com o nosso heroi lá dentro.
É um grande clássico que não tenho vontade nenhuma de rever nem de me lembrar quando vou todos os dias surfar numa pranchinha bem mais pequena e vulnerável do que a traineira do filme.

Bufas disse...

Jaws! Esse grande clássico do cinema. Quem é que não treme quando sente algo a tocar-lhe no pé debaixo de água? Jaws é o pior tipo de filme de terror(?), não é que assuste muito durante o filme, mas quem o vê fica sempre com um tubarão a morder os neuronios.