14 janeiro 2005

E por falar em cinema sueco...



Lukas Moodysson nasceu na Suécia em 1969, trabalha no cinema há algum tempo e é o próprio Ingmar Bergman que não lhe poupa elogios. Lilja 4-Ever é a sua terceira longa-metragem e o motivo de inspiração para este texto.
As primeiras cenas, violentamente filmadas, desrespeitam o rigor técnico a que estamos habituados e provocam-nos uma agonia profunda que nos leva a querer sair da sala. Porém, logo de seguida, a câmara pára de se mover desordenadamente, a música perde o timbre agressivo e nós, espectadores atentos, sentimos vontade de entrar no filme para pôr fim à angústia daquela adolescente russa de apenas 16 anos.
Lilja foi abandonada por todos aqueles que faziam parte do seu mundo. Resta-lhe a companhia de uma criança viciada em cola com quem tem uma especial afinidade: a ambos foi retirado o direito de viver e dada a possibilidade de sobreviver.
Um dos aspectos mais interessantes desta película é a notável persistência da protagonista em ser coerente face aos seus valores. Contudo, acaba por ser apanhada pela prostituição de uma forma hedionda. Da agonia sentida nas primeiras cenas, passamos a um incrível estado de desespero.
Todavia, quando parece que nada mais pode acontecer, Lukas Moodysson consegue surpreender-nos com a criativa inserção de anjos na acção. Anjos com asas que moram no Paraíso e que ajudam os desprotegidos da Terra. Por muito inverosímil que esta resolução cénica possa apresentar-se, a verdade é que acaba por ser uma forma de nos mostrar a desgraça e a realidade assustadora em que se movem aquelas duas personagens e, consequentemente, os aproximados dois milhões de mulheres e crianças que são, anualmente, vítimas de tráfico humano com fins sexuais. De facto, a todos esses mártires só lhes resta a possibilidade de crer em criaturas protectoras.
Lukas Moodysson é um nome a não esquecer. A crítica até já o apelidou de génio. Para aqueles que decidirem ver este filme, aqui fica o conselho: prestem atenção à sensibilidade com que Lilja é filmada ao não conseguir suportar a grandeza da liberdade.

2 comentários:

Anónimo disse...

Mafalda gostava mt de fazer um cometario interessante sobre o artigo, mas infelizmente não conheço o filme, como seria de esperar.
Espero que continues a escrever muito, e que um dia estes artigos possam ser lidos nutros sitios para além deste blog.
Muitos beijinhos
Vasco

Rodrigo disse...

Fogo, a Mafalda só gosta do Moodyson porque o Bergman gosta do Moodyson. Assim não vale. O único filme dele que vi foi o "Tilsammans", que é brilhante e delirante, e tem uma pré-adolescente a ouvir ABBA num Walkman, o que é sempre uma mais-valia num filme.