03 março 2005

À vossa espera no clube de vídeo - II


The Elephant Man, nos seus tons sombrios, é um ensaio cauteloso em que a câmara prodigiosa de David Lynch reflecte, de forma ambígua, sobre a ingenuidade e a maldade do ser humano. Assim, o realizador registou, crua e friamente, os comportamentos de todas as personagens com excepção do protagonista que foi filmado de maneira afectuosa e complacente.
A história, aparentemente simples, apresenta-nos um homem transfigurado que vive à mercê dos sentimentos que desperta nas pessoas à sua volta. A dada altura, esse “homem-monstro” conhece um médico (Anthony Hopkins num desempenho perfeito) que decide ajudá-lo a construir uma vida quase normal. Porém, esta é uma película de “quases” na medida em que nada se modifica realmente. O destino trágico do “homem elefante” foi decidido à nascença e só a morte, encarada metaforicamente como uma despedida da dor, permite a tranquilidade sonhada.
Num dos momentos mais comoventes de todo o filme, só comparável ao reencontro entre os dois irmãos de The Straight Story, há uma voz que grita mais alto, num mundo de curiosidades mesquinhas e de desejos cruéis, e que clama “I am not an animal! I am a human being! I am a man!”. Perturbador, não é? Arranjem uma cópia e contem-me a vossa opinião.

3 comentários:

Nuno disse...

Olá!

Ainda não vi o filme e portanto não posso dar a minha opinião, mas de qualquer maneira ele é um dos meus actores preferidos! As interpretações dele em o "Silêncio dos Inocentes" e nos "Despojos do dia" são espectaculares!
Já agora queria perguntar-te o que é que achaste do "Mar Adentro". Se ainda não viste, vai ver rapidamente! Na minha opinião, é um dos melhores filmes que já vi... Mas, depois conversamos melhor!

Beijinhos

Mafalda Azevedo disse...

Olá!
Ainda não vi esse filme mas tenho muita vontade de o ver. Quanto ao Anthony Hopkins... Deixa-me acrescentar mais duas interpretações absolutamente fabulosas: Shadowlands e Legends of the Fall.
Até breve.

Mafalda Azevedo disse...

Olá a todos!
Escrevo-lhes do último dia do Fantas Porto, depois de ter tido o privilégio de aplaudir o grande John Hurt que nos deu a honra de aparecer por este Festival. Para o ano há mais!