06 março 2005

"My darling, my blood"

Mais vale ser directo - Million Dollar Baby não só é uma obra-prima como um dos filmes mais monumentais de toda a História do Cinema. O filme não é sobre a luta, é a luta, ou ainda consegue ultrapassá-la, não sei bem para onde, mas para algo que nos deixa de joelhos e que mata qualquer indiferença, muito mais que artística e simplesmente humana. Porque a simplicidade e a serenidade da filmagem de Eastwood reina nesta obra, e de outra maneira não poderia ser. É o que forma um clássico, um sentimento que parecia já perdido nos filmes de hoje em dia, e pertencente a velhos mestres como John Ford.
E não vale a pena escrever muito mais. Tanto poderia falar dos fantasmas deste filme, do seu mistério, dos toques finais riquíssimos de cada parte de cada história, da incrível sabedoria com que Eastwood lida com as suas personagens, e como estas se apresentam em cada interpretação. Mas deste texto nada poderá aspirar a um lugar ou transmitir melhor os sentimentos de Million Dollar Baby. Tudo é arrebatador neste filme, demasiadamente para os cobardes que saem da sala a meio da projecção - e não chamo aos outros valentes. Grandes filmes como este formam grandes homens, que também carregam inevitavelmente todos os seus pecados. Clint Eastwood é um deles. Talvez o último dos clássicos - este é um elogio que ele merece.

11 comentários:

gonn1000 disse...

Embora lhe reconheça qualidades, não partilho do entusiasmo praticamente unânime em torno deste filme. Gostei, mas considerá-lo essencial ou obra-prima é um pouco exagerado...

Mafalda Azevedo disse...

Confesso que fui um pouco apreensiva para a sala de cinema... Tantos elogios, tanto entusiasmo... E afinal era mesmo verdade! O novo filme de Clint Eastwood é uma obra-prima. Nada mais há a dizer.

Rodrigo disse...

Hum...confesso que fiquei deveras desiludido com o filme. É bom, é bom, mas não é transcendental. Até o Rocky, apesar da Adrian feiosa, tem o Mr. T num dos filmes. E isso é impagável...

Anónimo disse...

Após ver este filme fiquei com a sensação de que tinha chegado ao fim uma história que necessitava de ser contada. Adorei o filme, não só pela excelente actuação de Clint Eastwood mas pelo impacto a nivel emocional que o filme tem sobre aqueles que o vêem como uma história e não uma "cash-cow" do cinema. Certamente não será uma obra-prima mas é sem duvida um grande filme. Parabéns Clint!

Mafalda Azevedo disse...

" Após ver este filme fiquei com a sensação de que tinha chegado ao fim uma história que necessitava de ser contada. "

Juntando a essa mesma sensação o facto de estarmos perante uma película incrivelmente filmada e interpretada, não percebo por que razão não haveremos de a reconhecer como uma obra-prima. (A menos que não nos identifiquemos com a sua história.)

Shakira disse...

Anónimo:
"Cash cow" significará uns trocos para a vaca?? Não te esqueças de "printar" o meu "comment" enquanto fazes uma "call" ao teu "boss". "Whatever".

Ruiz disse...

Shakira desculpa o estrangeirismo, e não ter sido claro, a minha intenção era a de poupar tempo, pelos vistos não fui claro!

Cash-Cow é um termo que utilizamos muito em Gestão, significa uma máquina de fazer dinheiro, naquele contexto queria enaltecer a história do filme e não as vendas que têm tido.

Rui

Rodrigo disse...

O Clint Eastwood nunca foi grande actor, sempre foi mestre das one-liners e hoje em dia está velho e com rugas e a sua prestação não é excelente, é apenas competente.

Mafalda Azevedo disse...

Podias arranjar outro argumento para dizer mal do Clint Eastwood... Falar de rugas parece-me algo despropositado! Sendo assim, o Robert Redford e o Ben Kingsley também não prestam...

Rodrigo disse...

Não tem nada a ver com isso. E quanto ao Robert Redford, teremos sempre Sundance...

Anónimo disse...

"Povera voce di un uomo che non c'è"

Este filme assustou. Me alertou-me. Como é possível que o homem tenha perdido o seu sentido, a sua razão; alegando-se a si mesmo como razão. Alguém que se mata, é porque não sabe porque e que existe e quando a sua razão morre, já não vale a pena viver.
O Homem é o único ser existente neste mundo com capacidade de percepção de algo maior, do mistério. Assusta-me realizar que, afinal a razão tornou-se a medida de todas as coisas..A razão é a análise da realidade tendo em conta todos os factores, o que é muito, mesmo muito diferente.
O filme está mesmo muito bem feito, uma heroína, pobre, sem pai, só com a sua coragem. Que cresce e vence, para no fim se tomada como coitadinha, justificando a eutanásia. As outras duas personagens estão também muito bem geridas, dois homens sem vida, que não se sabe como foram parar ali, contudo homens 'grandes'. Francisco se isto é uma obra-prima, então eu não gosto do teu cinema ( e não entro nesses esquemas do "esse é o teu ponto de vista")

Bernardo Eça