01 março 2005

Era uma vez...



Billy Wilder, algures na sua carreira, enunciou dez mandamentos relativos ao cinema - “Os primeiros nove são não maçarás. O décimo é terás o direito à montagem final.” Inspirada nas sábias palavras do realizador, gostaria de prestar homenagem a todos os cineastas que, tal como Billy Wilder, contaram histórias inesquecíveis, prendendo o espectador do princípio ao fim sem nunca o maçar. Antes de começarmos, gostaria de avisar que M. Night Shyamalan não fará parte deste tributo. Pertenço à minoria de pessoas que boceja ao longo das suas películas e que não ousa compará-lo a Alfred Hitchcock.
Para fazer oposição ao capricho recalcado de subestimar o talento de contar histórias como se isso fosse uma tarefa fácil ou inata a todos os cineastas, apontarei alguns nomes e contarei com a vossa ajuda para fazermos uma lista dos maiores contadores de histórias que o cinema já conheceu.
Em primeiro lugar, quero enaltecer Charlie Kaufman pelo génio, imaginação e vigor que trouxe ao cinema (Parabéns pelo Óscar!) e Martin Scorsese pela sábia capacidade de conferir densidade e complexidade psicológica à maioria das suas personagens (como mero exemplo, recordemos o pintor de New York Stories).
Em seguida, gostaria de referir Woody Allen, pela proeza de encher salas com espectadores sôfregos por mais uma história típica; Spike Lee pelo excelente trabalho de realização que apresenta em Summer of Sam e sem o qual nunca ficaríamos presos à narração; Wolfgang Petersen e The NeverEnding Story por ser um dos melhores momentos da nossa infância e, claro está, Steven Spielberg que, apesar dos seus altos e baixos, sempre se demonstrou um exímio contador de histórias.
E vocês? Quais os vossos contadores de histórias preferidos?

20 comentários:

Rodrigo disse...

Os irmãos Coen. Adoro histórias-que-não-são-histórias e que acabam com reviravoltas inesperadas. E o Tom Waits, mas isso são histórias em canções.

Mafalda Azevedo disse...

Apoiado! Concordo inteiramente!

Rodrigo disse...

A sério? Não eras tu que odiavas o Tom Waits? Outro contador de histórias: Bruce Springsteen.

Rodrigo disse...

E o Scorsese que devia ter sido oscarizado.

Mafalda Azevedo disse...

Estás com problemas de memória... Adoro os Coen, nunca odiei o Tom Waits e já fiz referência ao Scorsese no meu texto...

Rodrigo disse...

Mas falaste do New York Stories, que não abona a favor de ninguém a não ser, e com muita boa vontade, Woody Allen. É o mesmo que dizer que o Scorsese é bom por causa do After Hours. Não brinquemos com coisas sérias.

Mafalda Azevedo disse...

Agora discordo completamente! Ver o Woody Allen a falar com a mãe presa nas nuvens é que não abona a favor de ninguém... O Scorsese é um grande realizador e a sua contribuição em New York Stories está longe de manchar a sua carreira brilhante. Ou terás alguma coisa contra os Procol Harum?

Rodrigo disse...

Se há coisa que aprendi na tropa foi a nunca duvidar de Mae Questel.

Rodrigo Piedade disse...

No domínio do fantástico o Tim Burton, embora por vezes demasiado noctívago.

gonn1000 disse...

David Fincher, com histórias sempre surpreendentes (enfim, excepto o mediano "Panic Room"), ou Tarantino, sempre delirante. Kaufman, Spike Lee e Almodóvar, entre muitos outros, também têm universos interessantes...

jose disse...

Tenho muitos, muitos contadores de histórias que admiro profundamente e considero muito inspiradores.Mas destaco Wong Kar-Wai, pela simplicidade e pelas simultaneas franquza e verdade das suas histórias silenciosas. Depois há William Shakespeare, Rembrandt, Grandaddy... Isto para dizer um de algumas das várias artes. É claro que no lugar destes poderiam estar muitos outros, porque bons contadores de histórias é coisa que não falta e acho que nunca faltará.

Francisco Valente disse...

Com todo o respeito pelo Tom Waits, prefiro outro grande senhor. "'Twas in another lifetime, one of toil and blood...".

Mafalda Azevedo disse...

Seguindo a tua linha de pensamento, permite-me que acrescente: "But I would not feel so all alone, Everybody must get stoned"...

Rodrigo disse...

Mafalda, porque é que referencias drogas?

Mafalda Azevedo disse...

Agora merecias uma resposta foleira do estilo "Para mim, o cinema é uma droga" mas, como tenho respeito por ti, limito-me a responder "The answer, my friend, is blowin´in the wind..."

Rodrigo disse...

Ou seja, o fumo do teu charro viaja ao sabor do vento...

Mafalda Azevedo disse...

Só para ti que tens tanta inspiração:
"How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?"

Rodrigo disse...

Olha, este também conta histórias à sua maneira e adequa-se a este momento:

Sweetness, sweetness I was only joking
When I said I'd like to smash every tooth
In your head

Oh...sweetness, sweetness, I was only joking
When I said by rights you should be
Bludgeoned in your bed

And now I know how Joan of Arc felt
Now I know how Joan of Arc felt, oh
As the flames rose to her roman nose
And her walkman started to melt
Oh...

Mafalda Azevedo disse...

Esses lindos versinhos fizeram recordar-me aquele pastelão infame que dá pelo nome de "The Messenger: The Story of Joan of Arc", realizado pelo Luc Besson e interpretado pela bela Milla Jovovich... Não é uma boa recordação e não sei quanto tempo levarei a recompor-me de tal choque...

Rodrigo disse...

A mim lembra-me que a música pop pode ser feita de grandes poemas.