02 fevereiro 2005

Há planos assim

Já sabíamos que Woody Allen era um grande admirador de Ingmar Bergman. Lembramo-nos dele em Manhattan a passear pela rua e a afirmar convictamente “ - Bergman? Bergman is the only genius in cinema today, I think.“ Por isso, quando observamos esta imagem de Annie Hall, não nos espantamos com o facto de o realizador americano ter incluído, num mesmo plano, a sua pessoa, Diane Keaton, Liv Ullmann e Ingmar Bergman. Palavras para quê? Estamos na presença de quatro personalidades ou, se preferirem, de dois pares prodigiosos.
Olhemos novamente para a imagem. O cabelo comprido de Diane Keaton remete-nos para a personagem Annie Hall e para tudo aquilo que a caracteriza: o adorável “la di da”, o sentido de humor tão particular, as roupas excêntricas, a vontade de fazer cursos intelectuais e a paciência para aturar o depressivo Alvy Singer. De uma forma redutora mas eficaz, poderíamos resumi-la em duas palavras: encanto e originalidade.
Voltemos a apreciar o plano. Mais do que um momento único, mais do que uma homenagem ao cinema de Bergman e mais do que uma prova da inimitabilidade de Annie Hall, estamos na presença de um tributo ao amor que, em tempos passados, uniu Woody a Diane e Ingmar a Liv. Aliás, tendo em conta que o cinema sempre se alimentou de sentimentos, reais ou fictícios, parece-me que este é um tributo mais do que merecido.

2 comentários:

Rodrigo disse...

As roupas não eram ainda fashion, foi quase uma ruptura. Diane Keaton apareceu no écran vestida com uma gravata. Annie Hall é uma elegia perfeita do amor e do desamor. Mas eu prefiro Manhattan. Aquela abertura ao som de Rhapsody in Blue de George Gershwin tira-me do sério.

Mafalda Azevedo disse...

Caros cinéfilos,
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Demora um certo tempo a abrir mas vale realmente a pena!