06 maio 2008

Vida(s)

Há aspectos admiráveis neste povo inglês que se passeia pelas ruas de Londres. Muitas inglesas, por exemplo, não têm pejo nenhum em andarem overdressed pelo metro, autocarros e ruas. Esteja um bonito dia de sol ou um frio de rachar, é vê-las, altas ou baixas, magras ou gordalhufas, com um decote até ao umbigo, mangas cavas e, a cereja no topo do bolo, sandálias de salto alto.
As crianças, por sua vez, passeiam de trela. Literalmente. Os pais controlam-nas através de uma trela presa na barriga e dão-lhes pouquíssimo espaço de manobra. Já os homens ganham aos pontos. Regra geral, conservam aquele ar de Sir e têm qualquer coisa de aristocrático nos gestos.
O mais engraçado, para uma outsider como eu, é constatar o quão obediente é este mesmo povo que se deixa conduzir por uma série de regras e avisos afixados em qualquer canto londrino. Stay on the right side, mind the gap, olhe para a esquerda, no way, não coma alimentos com cheiro intenso, não ouça música alta, não alimente os patos. E não pense o incauto leitor que isto é uma crítica negativa. Pelo contrário.

Após três semanas longe de Portugal, e apesar de saber que os lisboetas andam felizes da vida a chapinhar no Guincho e na Costa, devo dizer que a cadeia HMV tem realizado muitos dos meus sonhos. Parece mentira que se possam comprar três dvd’s por cinco libras, não parece? Mas não é. E três dvd’s que são American History X, Analyze This e, a grande revelação desta semana, The Wind That Shakes the Barley, vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2006. Good Lord!

P.S. A única coisa que, até agora, me aborrece é não encontrar guardanapos em lado nenhum. Já fui a três supermercados diferentes – Tesco, Marks & Spencer, Waitrose – e nada! Pior do que não encontrar guardanapos à venda, é ter de aturar os funcionários, sempre simpáticos e disponíveis, a impingirem Kleenex's como se fossem guardanapos… Please…

10 comentários:

Anónimo disse...

Olá

Eu também andei de trela e sou muito a favor dessa modalidade.
Parece que não, mas as crianças têm mais liberdade na rua e não é necessário estarem sempre de mão dada.

Beijinhos
Tiago C.

Concha disse...

Haa está tudo explicado!! Por isso é que em casa da Laura (aquela minha amiga inglesa) não havia guardanapos... Estou a ver que vou ter de te mandar uns de pano pelo correio -- é mais agradável e ecológico!

Mafalda Azevedo disse...

(eh eh eh) Tenho pensado muito na família da Laura! :)

Os teus filhos vão andar com uma trela?

Concha disse...

Eu confesso que a minha mãe também era adepta da trela... a minha era encarnada. Parece que a do Tiago era azul.

Mafalda Azevedo disse...

Nãooooooo...

Ricardo Martins disse...

Como eu gosto da maneira que as inglesas andam overdressed for the ocasion...(suspiro)

O HMV e os dvd's são um sonho, de facto. Eu tive que me conter para não comprar 5 ou 6 packs antes de me vir embora; se os comprasse já não cabiam na mala.

A mim o Guincho nunca foi o meu cup of tea, eu sempre fui mais Praia das Maçãs.

Vodka e Valium 10 disse...

Como habitante de Londres e à qual ontem tornei, reconheço algumas das coisas que referes. Contudo, querida Mafalda, não te podes esquecer de procurar os guardanapos em:
1. Sainsbury's (versão limpa do Tesco);
2. Essa afamada casa europeia de origem alemã (acho), LIDL.

Se quiseres beber um café em Londres manda-me um mail. Estou por cá ad eterno.

Gin disse...

Há várias decadas atrás a minha irmã também teve uma trela... mas era mais parecida com arreios de cavalo, tanto que quando este objecto deixou de ser utilizado pelos adultos, nós irmãos costumavamos brincar aos cavalos como ele ;o)

Bjs

Mafalda Azevedo disse...

Vou já procurar o LIDL mais perto de minha casa. Muito obrigada!

Quanto às trelas… Não simpatizo com o objecto… Nem mesmo em cães. Na minha concepção utópica de sociedade civilizada, homens e animais domésticos convivem lado a lado, sem trelas.

Beijinhos a todos :)

Natalia Zviric disse...

Mafaldinha, tu devias ser escritora, viajar pelo mundo fora e escrever ensaios sobre países. Tens muito jeito :)