30 julho 2007

Ingmar Bergman (1918 - 2007)


Deito fora as imagens,
Sem ti para que me servem
as imagens?
-
Preciso habituar-me
a substituir-te
pelo vento,
que está em toda a parte
e cuja direcção
é igualmente passageira
e verídica.
-
Preciso habituar-me ao eco dos teus passos
numa casa deserta,
ao trémulo vigor de todos os teus gestos
invisíveis,
à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve
a não ser eu.
-
Serei feliz sem as imagens.
As imagens não dão
felicidade a ninguém.
-
Era mais difícil perder-te,
e, no entanto, perdi-te.
-
Era mais difícil inventar-te,
e eu te inventei.
-
Posso passar sem as imagens
assim como posso
passar sem ti.
-
E hei-de ser feliz ainda que
isso não seja ser feliz.
-
Raul de Carvalho

7 comentários:

H. disse...

Esse poema... Céus Mafalda... Que homenagem tão bela... mas tão dolorosa...

Mafalda Azevedo disse...

Aquilo que desejo, e escrevo-o com a maior sinceridade, é que Ingmar Bergman tenha morrido “calma e docemente”. Não acredito que nenhum Homem tenha dedicado a sua vida a enfrentar a dor e o sofrimento como este. Que descanse em paz é tudo o que posso desejar. E nós, cá continuaremos. A arrastarmo-nos e outras vezes a planarmos. A solidão ficou mais incomportável e o frio tornou-se ainda mais penoso.

Hugo disse...

Ficou um silêncio ensurdecedor...

Ingmar Bergman disse...

Cá te espero. Não te demores.

Isto é o teu paraíso, só mulheres.

Catarina disse...

..é com discrição que quase diariamente visito este teu mundo do cinema. Mas hoje não resisto e agradeço teres-me dado a conhecer estas palavras que tento não esquecer. "Conheço-te" de ha muito. O Miguel lembra-se de ti tantas vezes.. Ate breve? espero que sim! um beijinho, Catarina

Sofia Moreno disse...

Lindíssimo, Mafalda!

O mais elevado hino à palavra: o silêncio. Ficamos a tentar ver a imagem de olhos fechados.

Mafalda Azevedo disse...

Querida Catarina,

Que bom ler as tuas palavras! Estou ansiosa por te conhecer. Mesmo! :) Voltarei a Lisboa no dia 27 de Agosto.
Beijinhos e obrigada!

Sofia... Tento ligar-te e não atendes... Onde andas? Jantamos na tua bela terra?