14 julho 2007

Paula Rego

O meu pai tinha livros com estas coisas e metia-me medo com o Inferno de Dante. As gravuras do Goya são os Disparates, os Desastres da Guerra, essas coisas todas famosas. Tinha lá essas coisas que eu via, não é? Terríveis coisas. Gostava… o terrível é bom.

(…)

É a coisa mais corrente, a pedofilia, a coisa mais corrente do mundo. Os meninos da Casa Pia, aquela coisa toda, estes eram dos Salesianos e eram de boas famílias. Tinham essa vantagem, iam para casa e os pais não lhes batiam, ou se calhar também se metiam com eles. Mas era uma coisa que acontecia, eu sei que acontecia. O meu primo andava na escola e sabia perfeitamente. Nem tem nada de extraordinário, isso. É a raça humana. As mulheres também fazem outras maldades.

(…)

Adoro ir ao cinema, adoro o Almodóvar e o del Toro e essa gente toda que faz aquelas coisas maravilhosas. Gosto mais de ver filmes do que ver vídeos de arte.

Paula Rego em entrevista à revista Tabu.
13 de Julho de 2007

2 comentários:

APO disse...

Em criança confesso que dessas coisas (as que metiam medo) essas e mais uns quantos Dali's e Munch's e coisas do género, eu não gostava nada. Aprendi a gostar à medida que fui perdendo o medo!! Mas Paula Rego amo de paixao!!
bjinhos

Isabel Dantas Sá disse...

Paula Rego é a expressão máxima da arte feminina portuguesa, ela é simplesmente fantástica. Metem medo as suas obras mas são do melhor, "contam" histórias, obrigam-nos a pensar, provocam o observador e levam à reflexão. É a grande promotora da igualdade...
ADORO-A