27 junho 2008

Vizinhança

Foi há uns dias que dei por mim a desconfiar destes londrinos, sempre tão respeitadores e metódicos. Um povo que insiste na libra, na condução à esquerda e nas tomadas com três pinos, tem de guardar uns quantos podres no armário.
Com esta convicção na manga, dei início às lides de Mata Hari, qual James Stewart, no clássico Rear Window. Por detrás destas janelas, escondiam-se a minha cabeça e o meu olho de lince, sempre prontos a espiar os vizinhos. E, por falar em vizinhos, lembram-se da série Neighbours, com a Kylie Minogue? (Neighbours, everybody needs good neighbours…)
Mas enfim, nada de desvios que o assunto é sério.

Depois de ter deixado de lado o casal turtle-frog, projectei toda a minha habilidade de espionagem num homem novo, sempre de manga cava, que, todas as manhãs, entrava no seu Ferrari encarnado, com a matrícula Kiss Red, e dava umas valentes aceleradelas. Ritual estranho, não? Sentava-se, acelerava e voltava para casa. Ali havia gato.
E foi então, numa bela tarde com jogo do EURO à vista, que o mistério se desvaneceu. O nosso amigo, como habitualmente, dirigiu-se até ao carro, abriu a porta e, horror dos horrores, colocou uma bandeira portuguesa no vidro. Era português, tinha um Ferrari e usava manga cava. Demorei muito tempo a recompor-me de tamanho pavor.
Agora, depois de Portugal ter sido eliminado, o meu vizinho continua a acelerar. No entanto, mudou de carro. O Kiss Red desapareceu e deu lugar a este magnífico “el” Toro.

3 comentários:

Ricardo Martins disse...

LOOOLL! Bela história. Tinha que ser português.

Anónimo disse...

Hilariante!

Bjs,

Mariana

Miguel Marujo disse...

deliciosa crónica de costumes. ;)