17 novembro 2006

Quem o viu e quem o vê



Romain Duris está a crescer. Devagar, devagarinho como convém aos verdadeiros profissionais. Da minha relação com o actor, destaco três momentos: o jovem quase imberbe, deslumbrado pela liberdade de uma estadia no estrangeiro; o criminoso compassivo que demonstra o quanto vivemos num mundo que está longe de ser maniqueísta e o filho – irmão perturbado pelas nostalgias de uma relação impraticável.

Romain Duris tem 32 anos. Nos últimos quatro anos, poder-se-ia dizer que o actor vindo de França tem invadido as salas de cinema da Europa. E ainda bem que assim é. Melhor ainda é vê-lo lado a lado com Louis Garrel, mais novo do que Duris e tão inolvidável desde o último Bertolucci. Juntos numa espécie de road movie pedestre, intitulado Dans Paris, em que Garrel vagueia por Paris ao mesmo tempo que Duris deambula pelo passado. Viagens que proporcionam aventuras sexuais a um e momentos de exaltação musical a outro, ao som de Kim Wilde.

Mas, antes das viagens, há momentos em que assistimos às discussões de Romain Duris com a namorada. Aí, parece que tudo se diz e que nada fica por dizer, como se assistíssemos à maior prova de frontalidade e de sinceridade entre dois amantes. Mas não. No amor, e isto parece ser um dos pontos fortes de Christophe Honoré, nunca se diz tudo, nunca se resolve tudo e nunca se ganham certezas perenes.

6 comentários:

Marianne disse...

É sempre bom passear por Paris quando esta é bem filmada. É bom que haja actores como o Louis Garrel ou o Romain Duris que tomam opções interessantes mas...o filme não é bom. Inspira-se demasiado da nouvelle vague pretendendo inovar.É um cinema estagnado, demasiado nostálgico de um passado que já não é. Penso que será um filme rapidamente esquecido.

Hugo Alves disse...

E haverá melhor momento do que ver Duris ao telefone cantando com a amada? OU, noutro registo, vendo viver/saborear uma depressão ao som de tempos idos? São coisas que tão cedo não se esquecem, diria eu...

Marianne disse...

Le temps nous le dira

Hugo Alves disse...

Bien sûr :-)

gonn1000 disse...

Belo filme, e sim, o Duris vai longe.

Gin disse...

Estou com a Marianne :o)
Também achei um filme demasiado "passé" com uma história a puxar excessivamente ao intelectualóide, tipo James Joyce e "Ulísses" para dar caução a um vazio total de ideias novas