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O Amigo
Era bom encontrar o amigo
No Café, onde estava a olhar
Com um gesto elegante e ambíguo
Para o fumo a sumir-se no ar.
A poesia era o tema dilecto
Da conversa que o tempo engolia.
O real, o preciso, o concreto
Nem sabiam que a gente existia.
Nada era para nós maculado,
Nem um só sentimento era fosco:
Porque havia outra luz, outro lado,
E o mistério morava connosco.
Tudo isto foi antes de Orfeu
Ter levado o encanto consigo.
Esse amigo está vivo – e morreu.
(E de mim, que dirá esse amigo?)
Carlos Queiroz (dedicado a Fernando Pessoa)