18 fevereiro 2014

Em Busca da Verdade (1961)


Ontem à noite, em pleno Nimas, 
voltei a aperceber-me de que a capacidade de sobreviver é a maior das artes.

26 janeiro 2014

18 janeiro 2014

O homem que não tinha medo do silêncio




Hoje, depois de ontem à noite ter ido ver o Sonata de Outono ao Nimas, resolvi dedicar grande parte do meu dia a Ingmar Bergman. Nem sempre tenho coragem para voltar a ele, mas esta manhã senti essa necessidade e resolvi ver os três documentários que me foram oferecidos depois de um atencioso leitor, a quem agradeço muitíssimo, ter tido o cuidado de me alertar para a sua existência e importância. 
Já conhecia muitas das histórias que ali são contadas pelo realizador, especialmente por ter lido o Lanterna Mágica, mas foi extraordinário poder ouvir e ver o homem, a quem devo tanto, a falar sobre a mulher da sua vida - Ingrid –, a revelar pormenores da sua casa e do seu cinema privado, a confessar o seu repúdio pelos críticos e o seu amor pela música e a lamentar a maior deceção da sua vida.
Ei-lo, para nos mostrar na nossa nudez, dizia a capa do Ípsilon de 10 de Janeiro e é tāo verdade. Ingmar Bergman, como mais ninguém, compreendeu e, mais importante, conseguiu transmitir a verdade sobre o ser humano. A nós, e perante a impossibilidade de algum dia o virmos a conhecer pessoalmente, resta-nos agradecer e esperar que ele, homem que cria em espíritos e fantasmas, nos ouça. Mil vezes obrigada Ingmar Bergman.

13 janeiro 2014

Ladies do it better

 Helen Mirren, Globos de Ouro 2014

 Emmanuelle Riva, Óscares 2013

 Outro bom exemplo: Meryl Streep, Óscares 2010

Há quase um ano, aqui neste mesmo blog, bati uma salva de palmas à Rititi a propósito do texto que ela escreveu sobre a classe da Emmanuelle Riva em comparação com o "estilo da Jennifer Lawrence ou da Amy Adams, meninas disfarçadas de princesas”. E hoje, enquanto espreitava as fotografias da gala de ontem dos Globos de Ouro, voltei a lembrar-me desse mesmo post quando me apercebi de que a mulher mais bem vestida da noite, aquela que sobressaía pela sua elegância e classe, era a Helen Mirren. 
Repetindo as sábias palavras da Rititi: "Isto que vocês estão a ver chama-se ter classe, ser superior, indiferente até, ao vestido que se usa ou aos sapatos e às jóias que nos decoram. Ter classe não tem nada a ver com roupa, nem com o estilo e muito menos com a moda, mas sim com a sabedoria, com a idade, com a vida."
Admiro imensamente a beleza feminina, mas prezo ainda mais aquelas mulheres que, para além da sua beleza, da sua star quality de que tanto se fala hoje em dia, revelam inteligência, experiência de vida e serenidade através da sua expressão facial.

12 janeiro 2014

Tal Pai, Tal Filho

Se eu, por algum acaso da vida, me tornasse realizadora, gostava de saber fazer um filme como este:


Delicado

 Atento

Profundo 

Inteligente

 Enternecedor

Este é o meu cinema, aquele que vive dentro de mim, aquele que me reflete e me transcende.

02 janeiro 2014

2014, finalmente


Esta fotografia, cuja autoria desconheço, representa aquilo que desejo para 2014: serenidade e conforto. E tudo o que isso implica, claro: saúde, bem-estar e muito amor à minha volta. E livros memoráveis. E filmes excelentes. Contem-me histórias, daquelas mesmo boas, que me comovam e me ponham a refletir sobre a vida de todos nós. E ofereçam-me presentes, assim de vez em quando. Não há nada mais triste do que uma vida sem surpresas, sem lembranças. Convém não esquecer que o amor, a amizade e a gratidão também se expressam através de um postal, de uma carta, de uma flor, de um presentinho embrulhado. Eu cá farei um esforço para não me esquecer disto e para levar um bocadinho de alegria às pessoas de quem gosto tanto. 

Equinócio

Chega-se a este ponto em que se fica à espera
Em que apetece um ombro o pano de um teatro
um passeio de noite a sós de bicicleta
o riso que ninguém reteve num retrato

Folheia-se num bar o horário da Morte
Encomenda-se um gim enquanto ela não chega
Loucura foi não ter incendiado o bosque
Já não sei em que mês se deu aquela cena

Chega-se a este ponto Arrepiar caminho
Soletrar no passado a imagem do futuro
Abrir uma janela Acender o cachimbo
para deixar no mundo uma herança de fumo

Rola mais um trovão Chega-se a este ponto
em que apetece um ombro e nos pedem um sabre
Em que a rota do Sol é a roda do sono
Chega-se a este ponto em que a gente não sabe

David Mourão-Ferreira
 

E parabéns ao Mise en Abyme pelos seus 9 anos.

16 dezembro 2013

O melhor de Downton Abbey

 Rir a bandeiras despregadas com a personagem interpretada pela Maggie Smith.

   Rever a Elizabeth McGovern.
 (nunca a esqueceremos em Once Upon a Time in America)

De resto, e bem sei que ainda estou a meio da segunda temporada, não tenho adorado o estilo soap opera em que tudo é possível. Não obstante, e apesar de haver surpresas trágicas de 5 em 5 minutos, continuarei a ver. Nem que seja pela reconstituição histórica e pelo finíssimo sentido de humor. Até breve.

11 dezembro 2013

Boas Festas!

 
Feliz Natal a todos! 
E que 2014 seja substancialmente melhor do que 2013! 

(A ver se a passagem de ano me dá a audácia necessária para começar a usar um batom como o da Cyd Charisse.)

22 novembro 2013

... e por falar em fechos ...

Acabo de saber que, a partir do próximo domingo, dia 24 de Novembro, a MEDEIA FILMES vai deixar de explorar comercialmente o Cinema Medeia King, terminando desta forma a exibição regular de cinema nestas salas.

Suspiro.

20 novembro 2013

A vida flui

Lá fora está escuro. Parecem 22h e ainda são 18h30. Não gosto mesmo nada do Inverno, dos dias curtos, do frio quando se anda na rua e, pior do que tudo, da chuva incessante de algumas manhãs quando saio de casa para ir trabalhar. No entanto, e tenho de dar a mão à palmatória, a verdade é que, sem a tentação da praia ou das caminhadas, é nesta altura do ano que vou a mais exposições, que vejo mais filmes e que leio mais livros. E que ouço mais música e que assisto a mais espetáculos de teatro. Nos últimos dias, tive a sorte de assistir a dois showcases na FNAC que me enriqueceram verdadeiramente. O primeiro, um amor antigo, do meu querido Noiserv. O segundo, um deslumbramento mais recente, da Gisela João, essa força da natureza. Dois discos incríveis - Almost Visible Orchestra e Gisela João, respetivamente – que estão nas lojas à espera de ser comprados ou, melhor ainda, oferecidos neste Natal.
Ainda nestes últimos dias, fui também ver O Preço, de Arthur Miller, ao Teatro Aberto, e saí de lá com a certeza de todos nós sermos, ao longo da vida, levados a “escolher” papéis. Papéis que representamos arduamente e dos quais não conseguimos fugir. Aliado a esta certeza, o desejo enorme de que este teatro não feche e de que esta não tenha sido a sua última representação. Não consigo imaginar nada de tão desolador como a visão da minha vida sem as peças do Teatro Aberto. 

04 novembro 2013

Frances Ha


It’s that thing when you’re with someone and you love them and they know it, and they love you and you know it, but it’s a party! And you’re both talking to other people and you’re laughing and shining and you look across the room and catch each other’s eyes. But…but not because you’re possessive or it’s precisely sexual but because that is your person in this life. And it’s funny and sad but only because this life will end. And it’s this secret world that exists right there in public unnoticed that no one knows about. It’s sort of like how they say that other dimensions exist all around us, but we don’t have the ability to perceive them. That’s…that’s what I want out of a relationship or just life, I guess.

Obrigada Frances

28 outubro 2013

Mais coisas que melhoram a vida


Um livro que me foi oferecido em 2007, por uma querida amiga, e que só agora li. É caso para dizer tardo, mas não falho. A tradução é de um saudoso Professor com quem tive aulas na Faculdade e a história, que, por aquilo que sei, foi adaptada ao cinema, é um relato sobre o horror, o conformismo e a fragilidade humana. Depois de o ler, fiquei com ainda mais vontade de ir ver o Hannah Arendt.

Footnote (2011) | (título inglês)

Um filme comovente que tive a oportunidade de ver no cinema Renoir, em Madrid, onde gosto sempre de voltar quando vou à capital espanhola. Ali perto, descobri mais uma relíquia madrilena: um café, El Apartamento del No 5, que homenageia o universo de Billy Wilder.

Foto: Este es el color de mis sueños, Joan Miró (1925)

Vi este quadro, pela primeira vez, em Nova Iorque e nunca mais o esqueci. Nem imaginam a minha felicidade quando o revi numa exposição, que reflete sobre as relações entre o Surrealismo e o Sonho, em pleno Museu Thyssen-Bornemisza.

À procura de um casaco para enfrentar o frio






O que eu gostava de ter um dos casacos que a Kerry Washington (suspiro) usa na série Scandal… Podia ser que, quando o vestisse, me começasse a sentir tão indestrutível como a Olivia Pope… 

20 outubro 2013

Coisas que valem a pena

Breaking Bad: uma das mais incríveis séries de sempre. 

Parks and Recreation: obrigada a todos pelas gargalhadas.

The Conjuringuma sentida vénia ao Mestre James Wan. 

Já nem sei há quanto tempo é que não via uma telenovela mas, se tivesse de adivinhar, diria que passaram 10 anos desde a última. Numa das minhas sessões de zapping, apercebi-me de que a SIC está a transmitir uma telenovela portuguesa – Sol de Inverno – que conta com as interpretações de alguns dos meus atores preferidos: Rita Blanco, Maria João Luís, Victória Guerra, Rui Morisson, Lia Gama, Ana Padrão, entre tantos outros. Foi então que pensei que passo a vida a ver séries americanas e que não tenho dado grandes hipóteses à produção televisiva que se faz por cá. E bom. Dito isto, tornei-me uma espetadora assídua da dita telenovela. A ver que tal progride. Até agora, a visão diária da Joana Ribeiro, ainda a descobrir o seu caminho como atriz, é uma bela consolação.

02 setembro 2013

Mulheres, charutos e vinho

 
Marcos Palmeira, uma espécie de Don Draper à brasileira.


Carolina Holanda, uma epifania logo no primeiro episódio. 
 

Erika Mader, sobrinha da Malu Mader e igualmente sensual. 
 

As férias já lá vão e os anos não perdoam. Ultimamente, tenho andado deliciada com a série Mandrake, inspirada no universo do "meu" Rubem Fonseca e criada por José Henrique Fonseca, filho do escritor. Obrigada pelo presente tão especial. Avizinham-se muitas horas de emoção. 

22 julho 2013

Encontrei a motivação certa para mim


A série Dexter tem vindo a perder qualidade a olhos vistos. E, pior do que isso, tem desrespeitado as suas personagens de uma forma infame. Assim, e apesar de haver uma parte de mim que quer saber como é que tudo vai acabar, as duas últimas temporadas conseguiram ser tão medíocres que me estava a faltar a coragem para ver a tão esperada final season. Eis senão quando descubro que a Charlotte Rampling é a grande novidade desta nova temporada… E bom… Tudo mudou… Ontem à noite, vi três episódios de uma só vez. A ver vamos, Dexter. A ver vamos.

20 junho 2013

De luto

James Gandolfini (1961-2013)
 
Bigger than life

02 junho 2013

Quartet (2012)


Não sei se o querido Manuel ainda é leitor deste blogue, mas este filme faria as suas delícias, quer-me cá parecer. Absolutamente adorável. E ainda tem a Maggie Smith, esse exemplo de distinção e de classe.

Os Verdes Anos, versão 2013

(fotografia tirada com um BlackBerry em plena Avenida 5 de Outubro)

Será que, passados 50 anos, a história poderia repetir-se?