22 junho 2011

E mais uma, para animar as hostes.

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E obrigada à minha querida sorella.

20 junho 2011

A última sessão | Bert Stern


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Este fim-de-semana fui visitar a exposição do fotógrafo americano Bert Stern que teve a oportunidade única de fotografar Marilyn Monroe seis semanas antes da sua morte.
A exposição está no Centro Cultural de Cascais e comove pela entrega absoluta da actriz cujo olhar não esconde uma tristeza arrepiante. Fiquei especialmente tocada pela semelhança entre a Marilyn Monroe de algumas fotografias e a personagem de Julianne Moore no filme do Tom Ford. Não me admiraria se o ilustre designer de moda tivesse ido buscar inspiração ao trabalho de Bert Stern.
A não perder. E a entrada é gratuita.
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13 junho 2011

Sonhos que se realizam

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O Mise en Abyme está em absoluto estado de graça.

23 maio 2011

Um casal verdadeiramente adorável

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Marion Cotillard & Guillaume Canet

Uma semana que começa

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corri para o telefone mas não me lembrava do teu número
queria apenas ouvir a tua voz
contar-te o sonho que tive ontem e me aterrorizou
queria dizer-te porque parto
por que amo
ouvir-te perguntar quem fala?
e faltar-me a coragem para responder e desligar
depois caminhei como uma fera enfurecida pela casa
a noite tornou-se patética sem ti
não tinha sentido pensar em ti e não sair a correr pela rua
procurar-te imediatamente
correr a cidade duma ponta a outra
só para te dizer boa noite ou talvez tocar-te
e morrer
como quando me tocaste a testa e eu não pude reconhecer-te
apesar de tudo senti a mão sabia que era a tua mão
mas não podia reconhecer-te
sim
correr a cidade procurar-te mesmo que me afastasses
mesmo que nem me olhasses
mesmo que dissesses coisas que me
mesmo que
e ter a certeza de que serias tu depois a procurar-me
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Al Berto
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Emprestado daqui.

13 maio 2011

09 maio 2011

03 maio 2011

Uma revelação

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Das horas que diluímos no sangue
eu fiz tão pouco, mas tu compuseste canções fáceis,
dessas que se escutam quando se sai do banho,
e se algumas hão-de morrer na MTV,
outras vão aparecer no genérico de telenovelas
e mais tarde serão imortalizadas entre os teus greatest hits.
Vais dar uma série de entrevistas e falar de tudo
menos de mim. Eu vou acabar os meus dias a destilar ódios
e a dizer mal de ti a todos os que me quiserem ouvir.
Vou seguir as estrelas menos apagadas
deste último lugar e mudar de cor tantas vezes
até embranquecer de desgosto.
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Por estes dias faço questão de arrastar os pés
nos pulsos da solidão, acendo-me contra
o teu conto de fadas, as tuas empregadas domésticas
mal pagas, saltando à corda no teu jardim. Não suporto
essa alegria arrumada aos dias, a agitação
de deuses que vêm por aí e te cobrem a pele,
os relvados, abrindo toalhas, fazendo piqueniques
e tricotando ilusões ao ar livre. Não sabes
como detesto todos os cisnes tranquilos
na superfície do teu lago – agarro-os um por um à socapa
e trago-os até à cozinha onde primeiro lhes puxo as penas,
degolando-os a seguir.
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Numa hora a mão direita deita-se e delira,
apertando contra a página uma sombra que
silenciosamente tentava escapar-se. Na hora seguinte
arranco uma costela, vejo-a transformar-se nesse belo
monstro inspirado em ti, os dois olhos como pedras
atiradas ao escuro e esse teu fascínio
com coisas que me cansei de procurar.
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Puta de geração esta em que nasci!
Acostumei-me a tocar-te no ecrã e a envelhecer
de repente. Abro a mão esquerda e largo
um guloso beija-flor no teu pescoço, para que a sua fome
te fure durante o sono e acordes gasta, mole
e sem o sorriso absurdo que pões em frente ao espelho.
Estou cada vez mais só, mais seco, mais bruto.
Começas a cantar e eu ensurdeço. Descobri que nunca
tive voz para os teus musicais, que o máximo que sei
é aumentar o som e dar um ritmo violento ao meu choro,
saindo debaixo do teu refrão
solto como um saxofone endiabrado.
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Sento-me à noite na mesa onde tu tomas o pequeno-almoço
e ao contrário dos teus exercícios para aclarar a garganta,
sofro de uma tosse suja de pequenas vertigens, nada digno
de nota. Tenho apenas esta cabeça aguda
como um semáforo a abrir e a fechar-se
ao fundo da tua rua. Anoto a matrícula dos carros
que passam, procuro um padrão,
algum indício ou promessa, qualquer corpo
sem rotina ou simplesmente um movimento fora do normal.
Mas não acontece nada. Não vem mais ninguém. Traíste-nos a todos.
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Diogo Vaz Pinto, Nervo

E um dia, pela manhã

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"Bergman explica a uma jovem actriz a razão pela qual não vão repetir uma cena. Ela acha que podia fazer melhor. Ele, Bergman, acha que é suficiente. A hierarquia, no sentido vertical e ascendente, tende a esquecer porquês e esvaziar explicações. Porquê? Porque sim. Ele, oitenta e quatro anos e longuíssima carreira no cinema, explica a uma muito jovem “Karin” que, se repetidas as cenas, até ao cansaço, na busca de uma desejada perfeição, as emoções nelas contidas artificializam-se, perdem-se. Se repetires uma coisa muitas vezes crias uma fórmula. Esqueces-te da razão por que a dizes, do sentimento que juntou as sílabas, aplicas, para resolver a equação do fim do telefonema, do fim da conversa no café, da despedida matinal, a fórmula que um dia já foi palavra. A tua palavra. Agora fórmula. Se repetires uma coisa muitas vezes crias uma fórmula. Não queiras ouvir todos os dias o verbo amar. Bergman explica a “Karin” que se repetirem demasiadas vezes a cena da cozinha as emoções perdem-se. Não vale a pena buscar a perfeição se esta te custar a emoção original. Mas, à cautela, diz: “se te diverte podemos repetir”. Ela confia. Não repetem a cena."


Roubado daqui.

19 abril 2011

05 abril 2011

Michael Cunningham | parte III

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Independentemente das relações que possamos estabelecer, há uma parte em que estamos profundamente sozinhos. E isso é tão maravilhoso como assustador.

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Revista LER, Abril 2011, p. 48

30 março 2011

Uma manhã surpreendente



Hoje, ao sair de casa para ir trabalhar, fui surpreendida por uma visita primaveril.

E fiquei realmente alegre.

Adoro começar bem o dia.

26 março 2011

Um belo entretenimento

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. E até tem o Mark Gatiss a escrever e a fazer de irmão do Sherlock Holmes.

Uma maravilha em três episódios.

21 março 2011

Para quem não conseguiu estar presente

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Aqui fica o vídeo do encontro
entre o escritor Michael Cunningham e os seus leitores
na FNAC Chiado.

19 março 2011

Poesia

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Há pouco tempo e pouca vontade para observar e para reflectir neste mundo em que vivemos. Tenho saudades do universo de Jacques Tati em que havia disponibilidade para tais acções. Hoje, ao conhecer o dia-a-dia de Mija, lembrei-me de Tati, da sua curiosidade declarada e da elegância com que sorria aos outros. Mija é uma mulher excepcional, daquelas que transbordam dignidade nos gestos mais triviais. Infelizmente, a sua vida é transformada num drama familiar de uma perversidade indescritível. O cenário é uma pequena cidade da Coreia do Sul, onde há flores e árvores de variadas espécies e um rio que parece inabalável. Os dias passam, entre viagens de autocarro, legumes cortados, jogos de badmínton e, o melhor de tudo, aulas de poesia. Neste filme, nesta belíssima história, há uma senhora que procura na poesia o mesmo que nós procuramos no cinema. E acaba por encontrar: um abrigo, um espelho, uma solução. Na próxima segunda-feira, comemora-se o começo da Primavera e o Dia Mundial da Poesia. Que essas efemérides sejam um pretexto para observarmos e reflectirmos mais, valorizando a vida e a beleza. Há filmes demasiado tristes e injustos para serem comentados. Como tal, hoje fico-me por aqui, devastada pela interpretação de Yun Jung-hee. Boa noite.

08 março 2011

Obrigada Michael Cunningham

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Ontem à tarde, o Michael Cunningham esteve na FNAC Chiado para um encontro com os seus leitores. E foi, de facto, um momento inolvidável.
Há instantes destes em que, de repente, voltamos a ser aquela aluna da Faculdade de Letras que descobriu As Horas, graças à colecção do Público, e que depois devorou o Sangue do Meu Sangue e Uma Casa no Fim do Mundo. Retratos do nosso quotidiano, testemunhos indispensáveis das relações humanas, das decepções e descobertas que nos vão acompanhando ao longo da vida.
Quando a adaptação de As Horas estreou por cá, realizado pelo incompreendido Stephen Daldry, lembro-me bem de ter ficado destroçada com os desempenhos de Ed Harris, absolutamente extraordinário no seu suicídio teatral, e de Julianne Moore, tão angustiada, sem conseguir respirar, presa numa redoma claustrofóbica de que não conseguia sair. Ontem à tarde, naquele encontro informal, Michael Cunningham, com o seu à-vontade americano, qual turista bonacheirão, revelou que a personagem de Julianne Moore tinha sido inspirada na sua própria mãe que morreu de cancro antes de o filme estar pronto. E isto, claro, foi o suficiente para viajar até Evening, esse melodrama tão bem interpretado pelas enormes Vanessa Redgrave, Meryl Streep, Glenn Close, Toni Collette e Claire Danes que conta a história, escrita também por Cunningham, de uma moribunda que, prostrada, vai recordando os dias em que viveu o amor da sua vida, cinquenta anos antes.
No meio da pequena multidão que se juntou ontem para ouvir o romancista galardoado com um Pulitzer e com um PEN/Faulkner, houve alguém que se destacou ao perguntar o porquê de tantas histórias acerca de famílias destruídas, de cânones abalados e de sofredores perenes. A resposta foi ainda melhor: “porque sim, há coisas que não se controlam e mesmo que quisesse escrever histórias divertidas e cómicas não o conseguiria.”. E ainda bem que não. A obra de Michael Cunningham funciona assim como um porto de salvação e lê-lo faz-nos sentir mais acompanhados, mais saudáveis. O seu escrutínio, ou se preferirmos o seu dissecar, das relações humanas, tão perceptível nos diálogos do último Ao Cair da Noite, leva-nos a ter muita curiosidade quanto à vida íntima do autor. E ontem, foi deveras esclarecedor saber que o romancista leva uma vida rotineira e metódica, com horários estabelecidos e nunca desrespeitados, e que defende, simultaneamente, que o verdadeiro escritor consegue escrever sobre qualquer sítio onde nunca tenha estado, ou sobre qualquer actividade mesmo que nunca a tenha praticado. Só há uma coisa sobre a qual o verdadeiro escritor não consegue escrever se nunca a tiver experimentado: a emoção, o sentimento.
E assim, de pergunta em pergunta, de confissão em confissão, Michael Cunningham declarou-se ainda um enorme admirador da Madame Bovary de Flaubert. “Thank you Gustave”, disse ele. E o público poderia ter respondido, em uníssono, “Thank you Michael”.

28 fevereiro 2011

Óscares 2011 | XVI

The King's Speech é uma fraca escolha. Uma vergonha até.