Quero aprender a sobreviver à dimensão trágica da vida, quero viver tal e qual como nos seus filmes: experimentar cada segundo de forma pulsante. Quero adormecer num western, acordar num film noir e viajar num road movie. Quero ser parte do dramatismo e do lirismo de Ray.
20 fevereiro 2006
Momento de pausa
Quero aprender a sobreviver à dimensão trágica da vida, quero viver tal e qual como nos seus filmes: experimentar cada segundo de forma pulsante. Quero adormecer num western, acordar num film noir e viajar num road movie. Quero ser parte do dramatismo e do lirismo de Ray.
19 fevereiro 2006
Irrecusável!
23.02.06 - "Memória e Cinema", por JOÃO BÉNARD DA COSTA, Presidente da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema
17 fevereiro 2006
O outro lado da crítica
Fartos da crítica de homenagem que se faz no Mise en Abyme?
Apresento-vos Pauline Kael (1919-2001).
14 fevereiro 2006
28 janeiro 2006
Dia dos Lumière
E eis que, depois de os 27 blogs participantes terem votado, surge a lista de vencedores da segunda edição dos Prémios Lumière. O Mise en Abyme agradece novamente o convite e espera que o projecto se repita em 2007.
Melhor Filme
Melhor Realizador
Melhor Argumento
Melhor Actor
Melhor Actriz
Jovem Promessa Masculina
Jovem Promessa Feminina
Melhor Filme Animado
Melhor Fotografia
25 janeiro 2006
Proposta de discussão - XIII
Propondo um regresso às discussões, lanço Match Point como isco.
- Um Crime e Castigo dos tempos modernos?
- Um Woody Allen diferente de todos os outros?
Aguardo ansiosamente pelas vossas opiniões.
Até breve!
20 janeiro 2006
Convite à ilusão
“Por isso, The Purple Rose of Cairo talvez seja a mais bela homenagem que o cinema faz ao poder de sedução das salas de cinema. “
Manuel Cintra Ferreira, Folhas da Cinemateca
Pensar em A Rosa Púrpura do Cairo é compreender que a ilusão nunca antes foi assim filmada. Nem mesmo por François Truffaut quando assinou La Nuit Américaine (1973) e nem pelo próprio Woody Allen quando escreveu o argumento de Play it Again, Sam (1972).
Mas comecemos pelo princípio. Se antes pensávamos que a eterna recordação de Mia Farrow seria relembrá-la nas mãos de John Cassavetes em Rosemary's Baby (1968), agora percebemos que nos enganámos por completo. Esta Cecilia, sem possessões demoníacas, ocupará para sempre a nossa memória.
19 janeiro 2006
Apoiando o documentário português
06 janeiro 2006
03 janeiro 2006
Assim se publicou
Capa da revista Celulóide, Março de 1964
Capa da revista Celulóide, Novembro de 1967
Capa da revista Celulóide, Fevereiro de 1974
Capa da revista Celulóide, Novembro de 1975
Capa da revista Celulóide, Março de 1976
Capa da revista Celulóide, Novembro de 1977
02 janeiro 2006
O meu conselho para 2006
Fotografia tirada em Vila Nova de Milfontes, no dia 1 de Janeiro de 2006
29 dezembro 2005
Quando a comédia atinge a perfeição
28 dezembro 2005
O carnal em Kubrick
No princípio da década de 60, Kubrick sujeitou-nos à promiscuidade assumida de uma Lolita de apenas 12 anos, recuperada através das páginas de Vladimir Nabokov. Depois de Lolita, cerrámos os olhos face à sexualidade violenta de A Clockwork Orange. As notas de Beethoven a funcionarem como um hino à libertação física e sexual.
Anos depois, em 1975, ficámos extasiados com Barry Lyndon. Obra-prima pontuada pela aguda ironia com que o narrador nos vai contando as proezas e os fracassos do protagonista. Começando por ser um jovem ingénuo, Barry Lyndon vai multiplicando os seus encantos. De cenário em cenário, a câmara de Kubrick filmou-o a seduzir e a saborear mulheres.
Já na década de 80, chegou-nos The Shining, épico de terror. Mais uma vez, a câmara de Kubrick rompeu convenções, entrou numa casa-de-banho e filmou a tensão física entre Jack Nicholson e uma bela mulher que se transforma num ser horrendo. 19 anos depois, recebemos a notícia da morte do realizador e a estreia de Eyes Wide Shut, o mais incompreendido dos filmes de Kubrick. Aqui, a infidelidade conjugal oscilou entre os limites do real e do imaginário.
24 dezembro 2005
Há planos assim - VI
20 dezembro 2005
Prémios Lumière 2006
Categorias
14 dezembro 2005
Formas de encontro no Vietname
A voz de Kurtz afirma-se desde os primeiros momentos do filme ao opor-se contra falsos valores e ao declarar-se contra qualquer mentira inventada pelos americanos para viverem com a consciência tranquila: “ E chamam-me assassino. Como se diz, quando os assassinos acusam o assassino? Mentimos. Mentimos e temos de ser piedosos para com os mentirosos. Esses poderosos… Odeio-os. Odeio-os.” / “Estou fora do alcance da tímida e enganosa moralidade deles e, por isso, não me preocupo.”
Paralelamente a isto, esta voz também surge em alguns dos momentos principais do filme. Quando se dá o primeiro encontro entre Willard e Kurtz, ouvimos a voz do coronel antes de visualizarmos o seu corpo. No momento em que o capitão se prepara para assassinar Kurtz, reparamos que o coronel se encontra a gravar a sua voz e, no fim do filme, no fim de tudo, é a voz de Kurtz que se ouve a sussurrar “O Horror… O Horror”.
Retomando a importância simbólica da noção de encontro, é no interior do barco que Willard, ao estudar o seu dossier, estabelece o segundo encontro impessoal com Kurtz. De documento em documento e de fotografia em fotografia, Willard ingressa num processo que pode ser descrito em três fases: a fase do conhecimento, a fase da identificação progressiva e a fase da assimilação entre Willard e Kurtz.
A primeira fase desenrola-se à medida que o capitão reúne conhecimentos sobre Kurtz e descobre pormenores da sua vida. Como é natural, Willard cria expectativas sobre o homem que tem de matar e começa a questionar a sua missão. Todos os episódios são pretexto para Willard reflectir sobre o coronel (“Se era assim que o Kilgore combatia, comecei a interrogar-me sobre o que teriam contra o Kurtz.” ).
Daqui, passamos para a fase em que Willard se identifica com o coronel, “Quanto mais lia e começava a compreender, mais o admirava.”, e em que imagina o encontro entre ambos: “Parte de mim tinha medo do que iria encontrar e do que iria fazer quando lá chegasse. Conhecia os riscos ou imaginava que sim, mas o que mais temia e se sobrepunha ao medo, era o desejo de enfrentá-lo.”
A terceira fase, intimamente relacionada com as outras duas, consiste num processo de assimilação entre Willard e Kurtz. Ao longo do filme, vamos tomando consciência de que o facto de Willard ter assimilado todo o tipo de informações sobre Kurtz fez com que começasse a agir e a pensar como o coronel.
No episódio em que a tripulação encontra um barco e decide revistá-lo, Willard actua da mesma forma que Kurtz agiria: mata a mulher com um tiro e manda prosseguir a viagem. Aliás, os seus pensamentos são bastante elucidativos e parecem ter saído da boca de Kurtz: “Era uma mentira e, quanto mais mentiras via, mais as odiava. Aqueles rapazes não voltariam a olhar para mim da mesma forma, mas senti que sabia uma ou duas coisas sobre o Kurtz que não vinham no dossier.”
No primeiro encontro pessoal entre ambos, vemos um Willard ajoelhado relativamente perto de um Kurtz que se encontra deitado. A luz, ou a falta dela, não permite que vejamos a cara do coronel. A pouco e pouco, depois de ouvirmos a voz de Kurtz e de nos apercebermos de que este se encontra doente, começamos a visualizar a cara que conhecíamos das fotografias. Kurtz mostra-se torturado pela guerra. No diálogo que se segue, Kurtz refere “Esperava alguém como tu.” e pergunta “Que esperavas?” mas Willard opta pelo silêncio face à pergunta de Kurtz.
Nos encontros seguintes, voltamos a tomar consciência da autoridade da voz do coronel. Uma das cenas primordiais de Apocalypse Now ocorre quando este lê a primeira parte do poema The Hollow Men, escrito por T. S. Eliot em 1925. O poema, redigido na primeira pessoa do plural, é também uma forma de Kurtz se encontrar com Willard e de lhe mostrar que enfrentam problemas análogos. (– We are the hollow men // We are the stuffed men // Leaning together -)
No encontro final, deparamo-nos com o ponto auge da assimilação exposta anteriormente. Depois de Kurtz morrer, Willard toma o seu lugar. Willard é Kurtz e toda a população o reconhece ao curvar-se perante ele. Com a arma do crime numa mão e com o livro de Kurtz na outra, os espectadores lembram-se novamente das palavras do General dos Serviços Secretos: “Sabe, Willard, nesta guerra, as coisas tornam-se confusas na selva. O poder, os ideais, a moralidade antiga e as necessidades militares práticas. Mas, na selva, com estes selvagens, deve ser uma tentação ser Deus.”
No entanto, este Willard, ao pegar na mão de Lance e ao abandonar aquele lugar, mostra-se superior a estas palavras e escapa à tentação de ser adorado como um deus por todos aqueles que antes tinham adorado Kurtz.
08 dezembro 2005
Proposta de discussão - XII
07 dezembro 2005
Há planos assim - V
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
--Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
O poema, brilhante descrição de uma arte cujo objectivo é alcançar a indiferença face àquilo que se perde, não vive de construir coisas mas sim de as perder. Tal como a personagem que, de emprego em emprego e de homem em homem, vai perdendo tempo, beleza e dignidade. Assim como o velho professor que perdeu a visão e aprendeu a viver com isso, refugiando-se na tarefa de ensinar poesia às pessoas que tratam dele.
04 dezembro 2005
Proposta de discussão - XI
Até breve!