08 março 2010

Óscares 2010 III

Christoph Waltz... E a noite começa bem.

Óscares 2010 II

Até agora, o melhor vestido da noite pertence a Meryl Streep.

Óscares 2010

Aqui vamos nós!

28 fevereiro 2010

You only live once - dos 19 aos 25 anos


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Lá fora, não há maneira de a chuva parar e o vento frio é uma constante. Apetece fazer como o Malik El Djebena, no filme Um Profeta, de Jacques Audiard: puxar o fecho éclair do casaco até acima e estender a mão para sentir a neve. Depois disto, e à medida que atravessamos o pátio da nossa vida, olhamos bem para todos os lados – esquerda, direita, trás e frente – e certificamo-nos de que podemos avançar, um pé depois do outro, mãos nas algibeiras.
Malik El Djebena tem 19 anos. É árabe, frágil, indefeso e analfabeto. Quando chega à prisão, vê-se obrigado a escolher entre a própria vida e a vida de Reyeb, um outro prisioneiro. No momento final, quando sai em liberdade, Malik é, espanto dos espantos, o chefe respeitado de uma nova organização criminosa.
Entre a primeira e a última cena, há um interregno de seis anos. O tempo suficiente para sermos espectadores de duas perspectivas perpendiculares e imensamente interessantes: a transformação progressiva de um pequeno delinquente em homem respeitado no seio do mundo criminal e a metamorfose de um jovem inexperiente num pai de família, poliglota, visionário e profundamente sensível à espiritualidade de adormecer agarrado a um bebé, de enfiar os pés na areia e de andar de avião.
E tudo isto acontece dentro de uma prisão - celas, pátios e salas de visita – comandada por César Luciani, o líder de um poderoso gang corso. Há canais de comunicação de que nunca desconfiaríamos: cordas presas entre janelas, telemóveis debaixo de colchões e guardas subornados.
No fim, há três pessoas - homem, mulher e criança - que caminham lado a lado e são escoltados por três carrões. A pergunta que se impõe parece simples: Could that someone, perhaps, perchance, be Mack the Knife? A resposta é vossa.
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20 fevereiro 2010

18 fevereiro 2010

Parabéns!

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... e que sejas muito feliz na aventura que escolheste ...

17 fevereiro 2010

Troco tudo por um beijo


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Se calhar estou a ficar senil. É do frio, talvez da idade. Acabo de sair de A Bela e o Paparazzo e não o odiei. Pelo contrário, achei-o profundamente doce. Não, calma. Continuo a considerar que a Soraia Chaves não é grande coisa. E, sim, o António-Pedro Vasconcelos mexe com o meu sistema nervoso. Mas... Há ali qualquer coisa. Um passo de dança, uma casa acolhedora, um plano acanhado, a minha cidade, a calçada portuguesa. Há ali qualquer coisa que me comoveu. Intimamente. E sabe tão bem.
Até amanhã.

16 fevereiro 2010

Mad Men - o problema está no vício

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Nesta sala onde estou, rapidamente encontro o sossego e a esperança. Têm sido dias complicados, a tentar, e muitas vezes a falhar, a construção de algo em que acredite. E nisto somos todos muito parecidos com o Donald Draper. Especialmente se esquecermos o "pequeno" pormenor de ele ser um escroque. Mad Men conseguiu o improvável: não há nenhuma personagem que desperte a minha simpatia e, ainda assim, não consigo pensar em mais nada. Até o Tony Soprano era mais humano e menos perverso. Incrível, não?

02 fevereiro 2010

Aguardam-se reacções

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Óscares 2010 - nomeações
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Melhor Filme
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Avatar
Up - Altamente!
Nas Nuvens
Estado de Guerra
Precious
District 9
An Education
Um Homem Sério
The Blind Side
Sacanas sem Lei

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Melhor Realizador
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James Cameron
Kathryn Bigelow
Quentin Tarantino
Lee Daniels
Jason Reitman
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Melhor Actor

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Jeff Bridges
George Clooney
Colin Firth
Morgan Freeman
Jeremy Renner
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Melhor Actriz
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Meryl Streep
Gabourey Sidibe
Sandra Bullock
Helen Mirren
Anne-Marie Duff
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Melhor Actor Secundário
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Matt Damon
Woody Harrelson
Christopher Plumber
Christopher Waltz
Stanley Tucci
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Melhor Actriz Secundária
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Penélope Cruz
Vera Farmiga
Maggie Gylenhaal
MoNique
Anna Kendrick
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Melhor Filme Estrangeiro
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The Milk Of Sorrow
O Laço Branco

Um Profeta
Ajami
El Secreto de Sus Ojos
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Melhor Argumento Original
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Estado de Guerra
Sacanas Sem Lei
The Messenger
Um Homem Sério
Up - Altamente!

01 fevereiro 2010

Há homens assim

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Numa época fértil em contos fantásticos como Avatar e Where the Wild Things Are, a surpresa e o espanto estão em Invictus, uma história verídica, contada por Clint Eastwood.
Pés no chão, I am the master of my fate, olhos no futuro, I am the captain of my soul. E, de repente, a esperança regressa e acalma. It matters not how strait the gate. Somos capazes de ultrapassar as nossas limitações. How charged with punishments the scroll. Somos melhores do que pensávamos. Brothers and sisters, this is the time to build our nation. E seguimos, agradecidos. Clint Eastwood está prestes a fazer 80 anos. The day I am afraid to do that is the day I am no longer fit to lead.

24 janeiro 2010

Gostava de perceber isto, palavra

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Luís Miguel Oliveira escreve sobre O Sítio das Coisas Selvagens, Ípsilon (08 – 01 – 2010):
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“Não é, portanto, razão para grande surpresa que agora apareça com esta fábula levemente freudiana, feita de tristeza, raiva, uns pozinhos de Édipo e toda aquela “quirkiness” (falta-nos melhor palavra em português), aliás já a caminho de se tornar um bocado irritante, característica dos filmes dele, dos de Charlie Kaufman, e doutros que andam por essa órbita.”
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E o mesmo Luís Miguel Oliveira, no mesmo suplemento cultural, numa rubrica chamada “Filmes de uma década”, elege vinte títulos e inclui The Life Aquatic with Steve Zissou na sua escolha.

23 janeiro 2010

O Fellini, Where Art Thou?

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Nine, o mais recente filme de Rob Marshall, suposta homenagem ao clássico 8½, é um desperdício de tempo e de dinheiro. Mais do que isso, é um lamentável desfile de mulheres de plástico, com Sophia Loren, Nicole Kidman e Kate Hudson a comandarem o bando.
É verdade que Penélope Cruz e Marion Cotillard, senhora de uma elegância e de uma pose que desconhecíamos, têm registos notáveis nas sequências do suicídio e da sala de projecções mas, tirando esses momentos de excepção, Nine aposta numa aura pindérica como há muito não via. As canções e as coreografias são para esquecer e, no meio deste Carnaval, o enorme Daniel Day-Lewis lá vai atingindo, a custo, a ansiedade, a decadência e a cólera de Guido Anselmi.
Aliás, se Nine ainda é um filme comestível, deve-o ao facto de sobreviver à custa das memórias e das recordações que temos de e de La dolce vita. Que saudades de Claudia Cardinale e de Anouk Aimée.

13 janeiro 2010

O Laço Branco

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Filmar a maldade
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Estamos nas vésperas da primeira guerra mundial. Imaginem uma aldeia alemã, coberta de searas de trigo na Primavera e de neve imaculada no Inverno. E imaginem que, a determinada altura, o médico dessa mesma aldeia é vítima de um estranho acidente, o filho do barão é raptado, uma criança deficiente é torturada e há coincidências bizarras por todos os cantos. E, por fim, imaginem que, à semelhança do Village of the Damned do John Carpenter, o mal é personificado por um grupo de crianças louras, presas a uma moral que não compreendem, nem podem compreender, e consumidas por uma disciplina despropositada e castradora. E aqui, nos vestidos escuros e rígidos, nos murmúrios sofridos, na violência gratuita, nos cabelos domados e nas casas gélidas, reencontramo-nos com Fanny e Alexandre.
A claustrofobia, a avareza e a disciplina militar parecem o pior dos cenários. Mas ainda há pior. Há pais que violam, maltratam e espancam. Há crianças que tentam fugir, que desmaiam, que testam a efemeridade da vida. Todos estão condenados. Mesmo os mais novos, que ainda apresentam a candura própria das crianças, como o filho do médico que chama pela irmã numa casa às escuras, ou o filho do pastor que oferece o seu pássaro em troca da felicidade do pai. Todos, mais tarde ou mais cedo, revelarão a sua lealdade ao mal, pois é a única que conhecem. Com excepção do professor primário, confidente de todos, que toca piano à luz da vela e ama uma doce rapariga da cidade. Nenhum dos dois nasceu ali, nenhum cresceu no seio daquela comunidade. São a réstia de esperança que sobra.

08 janeiro 2010

Espera ansiosa

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Michael Haneke. Caché. A pianista.
Com tantas expectativas, temo uma desilusão.
Mas acredito que tal não acontecerá.