19 julho 2008
17 julho 2008
14 julho 2008
Frasier

Para acrescentar a esta lista.
E um forte aplauso para o senhor ali do canto que não tem papas na língua e gosta de Californication.
E um forte aplauso para o senhor ali do canto que não tem papas na língua e gosta de Californication.
Isto sim, é um filme de Verão!

Bem ao gosto da silly season, Mamma Mia! decorre numa ilha grega, com marés irresistíveis, céu azul, corpos queimados, cabelos longos e inúmeras canções dos ABBA. Todo o estilo pop e kitsch dos suecos corporalizado por Meryl Streep, Pierce Brosnan e Colin Firth num filme verdadeiramente divertido, em que os actores parecem estar radiantes por participarem nesta grande festa. Sim, porque Mamma Mia! deve ser encarado como um enorme festejo, daqueles com porteiros à porta que só estão autorizados a facilitar a entrada aos verdadeiros apreciadores dos ABBA.
Li algures que este festim de gargalhadas e boa disposição estreará em Portugal no princípio de Setembro. Preparem-se porque, depois do filme, fica-se com uma vontade frenética de saltar para cima de uma mesa e desatar a dançar como se não houvesse amanhã.
09 julho 2008
Notas soltas

Em Londres há chuva. Em Lisboa há sol. Em Londres há parques. Em Lisboa há praias. Em Londres há miúdas com problemas de pele. Em Lisboa há miúdas com salero. Em Londres há mercado para boas ideias. Em Lisboa as coisas não mexem. Os londrinos cuidam da cidade. Os lisboetas destroem a cidade com latas de tinta em spray. Em Lisboa há calçada portuguesa. Em Londres há um pavimento incolor. Em Lisboa há lixo pelas ruas. Em Londres está tudo limpo. Em Lisboa os transportes públicos não funcionam. Em Londres não se desespera por um autocarro. Em Lisboa há boas vibrações pelo ar. Em Londres há más vibrações pelo ar. Em Lisboa, os homens das obras são ordinários. Em Londres, os homens das obras são educados. Em Lisboa ninguém respeita regras. Em Londres quase todos cumprem as regras. Há cada vez menos comércio independente em Lisboa. Há cada vez mais comércio independente em Londres. Em Lisboa, os funcionários públicos não fazem nenhum. Em Londres, os empregados de uma estação de correios são trabalhadores incansáveis. Em Lisboa come-se bem em qualquer lado. Em Londres não se come bem em qualquer lado. Em Lisboa respira-se um ar saudável. Em Londres respira-se um ar inóspito. Em Lisboa paga-se para entrar em museus. Em Londres não se paga para ver obras-primas. Em Julho, os lisboetas têm calor. Em Julho, os londrinos escondem-se dos trovões. Lisboa é a minha cidade do coração. Londres é a cidade onde me sinto uma cidadã do mundo.
06 julho 2008
Ecrã versus “vida real”
Dias depois de ter escrito sobre Pi e de ter publicado uma fotografia do realizador e da mulher, dou por mim a tropeçar na actriz Rachel Weisz. Incrivelmente simples, cabelo ondulado, calças de ganga e pernas magras. Uma epifania, diria mesmo.
04 julho 2008
Viver em modo inglês
- Andar à chuva e já nem me aperceber,
- Sair à noite de manga curta e não ter frio,
- Tomar duche sem pressão e não me importar.
Um beijinho à tia Romy, de Romy Schneider, e ao João.
27 junho 2008
Vizinhança

Foi há uns dias que dei por mim a desconfiar destes londrinos, sempre tão respeitadores e metódicos. Um povo que insiste na libra, na condução à esquerda e nas tomadas com três pinos, tem de guardar uns quantos podres no armário.
Com esta convicção na manga, dei início às lides de Mata Hari, qual James Stewart, no clássico Rear Window. Por detrás destas janelas, escondiam-se a minha cabeça e o meu olho de lince, sempre prontos a espiar os vizinhos. E, por falar em vizinhos, lembram-se da série Neighbours, com a Kylie Minogue? (Neighbours, everybody needs good neighbours…)
Mas enfim, nada de desvios que o assunto é sério.
Com esta convicção na manga, dei início às lides de Mata Hari, qual James Stewart, no clássico Rear Window. Por detrás destas janelas, escondiam-se a minha cabeça e o meu olho de lince, sempre prontos a espiar os vizinhos. E, por falar em vizinhos, lembram-se da série Neighbours, com a Kylie Minogue? (Neighbours, everybody needs good neighbours…)
Mas enfim, nada de desvios que o assunto é sério.

Depois de ter deixado de lado o casal turtle-frog, projectei toda a minha habilidade de espionagem num homem novo, sempre de manga cava, que, todas as manhãs, entrava no seu Ferrari encarnado, com a matrícula Kiss Red, e dava umas valentes aceleradelas. Ritual estranho, não? Sentava-se, acelerava e voltava para casa. Ali havia gato.
E foi então, numa bela tarde com jogo do EURO à vista, que o mistério se desvaneceu. O nosso amigo, como habitualmente, dirigiu-se até ao carro, abriu a porta e, horror dos horrores, colocou uma bandeira portuguesa no vidro. Era português, tinha um Ferrari e usava manga cava. Demorei muito tempo a recompor-me de tamanho pavor.
Agora, depois de Portugal ter sido eliminado, o meu vizinho continua a acelerar. No entanto, mudou de carro. O Kiss Red desapareceu e deu lugar a este magnífico “el” Toro.
E foi então, numa bela tarde com jogo do EURO à vista, que o mistério se desvaneceu. O nosso amigo, como habitualmente, dirigiu-se até ao carro, abriu a porta e, horror dos horrores, colocou uma bandeira portuguesa no vidro. Era português, tinha um Ferrari e usava manga cava. Demorei muito tempo a recompor-me de tamanho pavor.
Agora, depois de Portugal ter sido eliminado, o meu vizinho continua a acelerar. No entanto, mudou de carro. O Kiss Red desapareceu e deu lugar a este magnífico “el” Toro.

24 junho 2008
Cool Hand Luke - II
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He was smiling... That's right. You know, that, that Luke smile of his. He had it on his face right to the very end. Hell, if they didn't know it 'fore, they could tell right then that they weren't a-gonna beat him. That old Luke smile. Oh, Luke. He was some boy. Cool Hand Luke. Hell, he's a natural-born world-shaker.
20 junho 2008
Trivialidades londrinas

1) Primark – a loja de roupa para mulheres rijas
Quarenta minutos para entrar num provador e mais trinta minutos à espera de chegar a uma caixa de pagamento. Isto, claro, sem contar com o tempo em que se anda de um lado para o outro, aos encontrões, solavancos e tropeções, a examinar a imensa variedade de roupas e acessórios.
As crianças choram, os homens bufam e as mulheres, zonzas no meio de tanta desordem, experimentam bikinis e saias à frente de toda a gente. É o vale tudo. Seja fim-de-semana ou dia de trabalho. Seja de manhã ou de tarde. Conta-se que até já houve pancadaria entre fêmeas.
Vale a pena o sacrifício? Sem dúvida. Primark é a loja mais barata de sempre. Ainda mais acessível do que a Bershka ou a Zara de Lisboa.

2) Camden – o bairro cool
Pessoas diferentes, sons originais e odores desconhecidos. Entra-se em Camden e está-se num mundo à parte. Nunca se viu tanto arrojo, originalidade e bom gosto num só espaço.

Pessoas diferentes, sons originais e odores desconhecidos. Entra-se em Camden e está-se num mundo à parte. Nunca se viu tanto arrojo, originalidade e bom gosto num só espaço.

foto © Miss Wasted Blues

foto © Miss Wasted Blues

foto © Miss Wasted Blues

foto © Miss Wasted Blues

foto © Miss Wasted Blues


foto © Miss Wasted Blues


foto © Miss Wasted Blues
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3) Forbidden Planet – o cinema transformado em merchandise
O Mise en Abyme foi lá e não resistiu a trazer este brinquedo. Basta carregar nos botões e ouvem-se seis frases diferentes do épico Reservoir Dogs. E há aparelhos iguais de filmes tão díspares como Dirty Dancing ou Scarface (Say hello to my little friend!).
Ideal para utilizar quando a nossa casa for assaltada, à lá Macaulay Culkin no Sozinho em Casa.

19 junho 2008
17 junho 2008
Singularidades
O Mise en Abyme estreou-se finalmente no universo de Darren Aronofsky. A escolha recaiu em Pi de 1998. O filme, conotado como um dos mais originais das últimas décadas, rima muito com o universo de David Cronenberg. Não só pela proeminência de insectos, mas também pela sujidade intrínseca ao filme. Não que isto retire qualidade à película de Aronofsky, cuja estética a preto e branco escapa, por vezes, ao contraste e à luminosidade, confundindo e dominando o espectador.
Max Cohen, um génio que alimenta o desejo de compreender a realidade através da matemática, sofre de transtornos compulsivos e de dores de cabeça insuportáveis. Tendo construído um computador em casa, que protege religiosamente através de várias fechaduras, Max vive com a certeza de que alcançará aquilo que o seu mestre, Sol Robeson, não foi capaz de alcançar.
O argumento de Pi, aqui resumido em poucas linhas, é de um interesse atroz e poderia ter sido desenvolvido em redor do protagonista – narrador e das personagens que lhe são próximas. Todavia, Darren Aronofsky caiu no erro de subvalorizar a essência de Max e acrescentou beatos e agiotas à sua narrativa, contribuindo assim para um despropósito bem menos credível do que as paranóias do génio.
Do mal, o menos. As últimas sequências, de uma beleza inspiradora, em que Max transparece paz de espírito e convive, sem hesitações, com uma mulher e uma criança, contrastando inteligentemente com as cenas brutais do cérebro e do berbequim, são dignas de aclamação.

16 junho 2008
14 junho 2008
Sentido de vida
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BALADA DA RITA
Disseram-me um dia, Rita (põe-te em guarda)
aviso-te, a vida é dura (põe-te em guarda)
cerra os dois punhos e andou (põe-te em guarda)
e eu disse adeus à desdita
e lancei mãos à aventura
e ainda aqui está quem falou
Galguei caminhos-de-ferro (põe-te em guarda)
palmilhei ruas à fome (põe-te em guarda)
dormi em bancos à chuva (põe-te em guarda)
e a solidão, não erro
se ao chamá-la, o seu nome
me vai que nem uma luva
-
Andei com homens de faca (põe-te em guarda)
Andei com homens de faca (põe-te em guarda)
vivi com homens safados (põe-te em guarda)
morei com homens de briga (põe-te em guarda)
uns acabaram de maca
e outros ainda mais deitados
o coveiro que o diga
-
O coveiro que o diga
quantas vezes se apoiou na enxada
e o coração que o conte
quantas vezes já bateu para nada
-
E um dia de tanto andar (põe-te em guarda)
eu vi-me exausta e exangue (põe-te em guarda)
entre um berço e um caixão (põe-te em guarda)
mas quem tratou de me amar
soube estancar o meu sangue
e soube erguer-me do chão
-
Veio a fama e veio a glória (põe-te em guarda)
passearam-me de ombro em ombro (põe-te em guarda)
encheram-me de flores o quarto (põe-te em guarda)
mas é sempre a mesma história
depois do primeiro assombro
logo o corpo fica farto
-
O coveiro que o diga
quantas vezes se apoiou na enxada
e o coração que o conte
quantas vezes já bateu para nada
-
Sérgio Godinho
05 junho 2008
04 junho 2008
02 junho 2008
Da condição de ser mulher


Poder-se-ia afirmar, sem receio de um possível equívoco, que a Mulher tem sido mal habituada por gente como Quentin Tarantino. Insistindo, e bem, num processo de recontextualização de actores, Tarantino começou por servir-se da sua musa, Uma Thurman, para elevar a Mulher à condição de heroína, quase de Super-Heroína.
As vencedoras de Tarantino são capazes de tudo. Aniquilam a morte como em Pulp Fiction e Kill Bill, conseguem aquilo que nem o próprio Scarface conquistou ao derrotarem bandos armados e, como se nada fosse, pontapeiam a máquina mortífera presente em Death Proof.
Ora, serve esta introdução para demonstrar a eventual estranheza que as espectadoras, habituadas à vassalagem de Tarantino, sentiram ao verem Caramel. O filme libanês, ao contrário das películas referidas, reflecte justamente sobre as fragilidades que advêm do facto de se ser Mulher.
Construído em alicerces de amizade sólida, Caramel vigia as funcionárias de um cabeleireiro bolorento e as donas de uma casa de costura. Sem princípio nem fim, a câmara testemunha semanas daquelas vidas e depois, sem qualquer satisfação, abandona-as e deixa-as entregues aos seus destinos.
A personagem mais interessante, do ponto de vista da fraqueza feminina, mais especial do que a humilhada ou a temerosa, é a actriz de anúncios, mãe de dois filhos, obcecada pela juventude e pela menopausa que não aceita.
Contrariando a imagem da tal Super Mulher de que falávamos, esta esconde-se em operações, adesivos e penteados, fazendo-nos reflectir sobre algo que andava esquecido: os homens, de uma forma geral, mesmo que tenham sido míticos na juventude, conseguem envelhecer saudável e naturalmente. Repare-se, por exemplo, na naturalidade com que Sean Connery, Harrison Ford e até George Clooney surgem em público, orgulhosos das suas cãs; ou na nitidez com que as rugas destes aparecem na televisão e nas capas de revistas.
A personagem de Caramel talvez não venha a compreender a dimensão da sua fraqueza. Provavelmente, desconhece o caso de Liv Ullmann que não recorreu a operações por ter curiosidade de se ver em velha. Mas enfim. Mesmo que aquela personagem não venha a aceitar a sua condição, as espectadoras portuguesas já ganharam, e muito, com a possibilidade de se reverem em Caramel. Sem super poderes, apenas humanas e irresistíveis.


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