04 julho 2008
Viver em modo inglês
- Sair à noite de manga curta e não ter frio,
- Tomar duche sem pressão e não me importar.
Um beijinho à tia Romy, de Romy Schneider, e ao João.
27 junho 2008
Vizinhança

Com esta convicção na manga, dei início às lides de Mata Hari, qual James Stewart, no clássico Rear Window. Por detrás destas janelas, escondiam-se a minha cabeça e o meu olho de lince, sempre prontos a espiar os vizinhos. E, por falar em vizinhos, lembram-se da série Neighbours, com a Kylie Minogue? (Neighbours, everybody needs good neighbours…)
Mas enfim, nada de desvios que o assunto é sério.

E foi então, numa bela tarde com jogo do EURO à vista, que o mistério se desvaneceu. O nosso amigo, como habitualmente, dirigiu-se até ao carro, abriu a porta e, horror dos horrores, colocou uma bandeira portuguesa no vidro. Era português, tinha um Ferrari e usava manga cava. Demorei muito tempo a recompor-me de tamanho pavor.
Agora, depois de Portugal ter sido eliminado, o meu vizinho continua a acelerar. No entanto, mudou de carro. O Kiss Red desapareceu e deu lugar a este magnífico “el” Toro.

24 junho 2008
Cool Hand Luke - II
20 junho 2008
Trivialidades londrinas

1) Primark – a loja de roupa para mulheres rijas
Quarenta minutos para entrar num provador e mais trinta minutos à espera de chegar a uma caixa de pagamento. Isto, claro, sem contar com o tempo em que se anda de um lado para o outro, aos encontrões, solavancos e tropeções, a examinar a imensa variedade de roupas e acessórios.
As crianças choram, os homens bufam e as mulheres, zonzas no meio de tanta desordem, experimentam bikinis e saias à frente de toda a gente. É o vale tudo. Seja fim-de-semana ou dia de trabalho. Seja de manhã ou de tarde. Conta-se que até já houve pancadaria entre fêmeas.
Vale a pena o sacrifício? Sem dúvida. Primark é a loja mais barata de sempre. Ainda mais acessível do que a Bershka ou a Zara de Lisboa.

Pessoas diferentes, sons originais e odores desconhecidos. Entra-se em Camden e está-se num mundo à parte. Nunca se viu tanto arrojo, originalidade e bom gosto num só espaço.









O Mise en Abyme foi lá e não resistiu a trazer este brinquedo. Basta carregar nos botões e ouvem-se seis frases diferentes do épico Reservoir Dogs. E há aparelhos iguais de filmes tão díspares como Dirty Dancing ou Scarface (Say hello to my little friend!).

19 junho 2008
17 junho 2008
Singularidades
O argumento de Pi, aqui resumido em poucas linhas, é de um interesse atroz e poderia ter sido desenvolvido em redor do protagonista – narrador e das personagens que lhe são próximas. Todavia, Darren Aronofsky caiu no erro de subvalorizar a essência de Max e acrescentou beatos e agiotas à sua narrativa, contribuindo assim para um despropósito bem menos credível do que as paranóias do génio.
Do mal, o menos. As últimas sequências, de uma beleza inspiradora, em que Max transparece paz de espírito e convive, sem hesitações, com uma mulher e uma criança, contrastando inteligentemente com as cenas brutais do cérebro e do berbequim, são dignas de aclamação.

16 junho 2008
14 junho 2008
Sentido de vida
Disseram-me um dia, Rita (põe-te em guarda)
Galguei caminhos-de-ferro (põe-te em guarda)
Andei com homens de faca (põe-te em guarda)
05 junho 2008
04 junho 2008
02 junho 2008
Da condição de ser mulher




01 junho 2008
29 maio 2008
59 Lamb's Conduit Street

Numa rua pequena e difícil de encontrar, deparamo-nos com uma das livrarias mais acolhedoras e singulares desta cidade. Certa amiga não parava de me falar na Persephone Books, mas confesso que não estava à espera de um espaço tão original.
Edifício do princípio do século XVIII, flores na entrada, bengaleiro à porta, soalho de madeira, cadeiras convidativas, estantes claras e três mulheres, de grupos etários diferentes, a trabalharem em três sólidas secretárias.
Sorridentes, olharam para mim, perguntaram se precisava de ajuda e, perante a minha resposta negativa, continuaram a trabalhar. É preciso abrir um parêntesis para explicar que esta livraria também funciona como escritório da editora.
E assim fiquei eu, entregue aos livros, boquiaberta com tanta serenidade e bom gosto. Escolher um só livro não foi tarefa fácil, mas acabei por eleger aquele que mais me perturbou.
E a leitura espera por mim.
Até breve.
28 maio 2008
Saints and Soldiers (2003)
Gould – Is it good reading? (referindo-se à Bíblia)
Deacon – Do you believe in a life after this one?
Gould – Not a chance in hell. When we first got here, I was working on this kid. He was shot up pretty bad. He kept saying, “Please, God. Please, God.” Over and over. Like it meant something. He was so sincere about it, I thought it might work. Then two minutes later he was dead. There wasn’t a thing I could do about it. When I looked into his eyes… There was nothing there. Nothing. That’s when I realised that… This is it.
Deacon – It’s funny.
Gould – What can possibly be funny about that?
Deacon – No, I don’t mean “funny” funny. It’s … It’s just that… We were just outside Sainte-Mère-Eglise. We were getting pounded pretty hard. And I was holding this kid on my lap and he was shot up pretty good. And I remember him praying. And I was praying, too. And all of a sudden he was gone. And that was… That was it, really. That was the first time that I really watched somebody die. But right then I knew that he was in a better place than that.
Gould – How convenient for you.
Deacon – Convenient? That’s what I was thinking about what you said. Funny, huh?
26 maio 2008
Guardanapos – último episódio
Dois Sainsbury's passados a pente fino e nada. O LIDL, esse milagre que fez as minhas delícias no InterRail, localiza-se a milhas da minha área de residência. Sem mais nenhuma solução em vista, restava-me sucumbir aos guardanapos "chiques a valer" do Waitrose.
Mas não! Eis que uma leitora caridosa, de seu nome Laidita, resolveu abrir os olhos do Mise en Abyme para uma nova realidade: Sainsbury's online grocery store.
Visa numa mão, rato na outra e… Ei-los, à porta de casa, misturados entre detergentes e bolachas.
E a vida em Londres nunca mais será a mesma.
The end

23 maio 2008
Triste conclusão
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, telemóvel no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre context, perception and priorities.
A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. (Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefacto de luxo, sem etiqueta de marca.)











