18 maio 2008

Cidade nova, escritora nova

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Another day is another world. The difference between foreign countries is never so great as the difference between night and day. Not only are the landscape and the light changed, but people are different, relationships which the night before had progressed at a sudden pace, appear to be back where they were. Some hopes are renewed, but others dwindle: the state of the world looks rosier and death further off; but the state of ourselves and our loves and ambitions seems more prosaic. We begin to regret promises, as if the influence of darkness were like the influence of drink. We do not love our friends so warmly: or ourselves. Children feel less need of their parents: writers tear up the masterpiece they wrote the night before.
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A Game of Hide and Seek, p. 28
Elizabeth Taylor

Stuck in the middle with you

Reservoir Dogs – e a perfeição existe

17 maio 2008

Homenagem à beleza etérea – IX



Monica Vitti. Depois de Liv Ullmann, Claudia Cardinale, Jacqueline Bisset, Bibi Andersson, Saffron Burrows, Inés Sastre, Eva Green e Faye Dunaway. Perfeita como uma peça de mármore. Esculpida, feição a feição, como uma obra-prima.

15 maio 2008

Guardanapos – a saga continua


Depois de o prezado Vodka e Valium 10 ter referido que havia guardanapos à venda nos supermercados Sainsbury's, lá fui eu, crente e ansiosa, à caça dos ditos. Assim que entrei, deparei-me com os mesmos Kleenex's de sempre. Uma coisa é assoar o nariz, outra, bem diferente, é limpar a boca à medida que jantamos. Parece que os londrinos não percebem isto.
A boa notícia é que encontrei guardanapos num Waitrose. Quer dizer, não eram propriamente guardanapos vulgares. Assemelhavam-se mais a guardanapos festivos, com flores e riscas estampadas, e custavam os olhos da cara. Assim, a minha busca continuará.

Resultados até agora:

Tesco – 0
Marks & Spencer – 0
Sainsbury’s – 0
Waitrose – 1

13 maio 2008

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades



Cine Texas (Galinheiras)

Eden (Restauradores)
São Jorge (Avenida da Liberdade)
Garrett (Póvoa de Varzim)
Condes (Avenida da Liberdade)
Império (Alameda D. Afonso Henriques)
Roma (Avenida de Roma)
Monumental (Saldanha)
Alvalade (Avenida de Roma)
Nimas (Avenida 5 de Outubro)
Apolo 70 (Campo Pequeno)
Quarteto (Rua Flores de Lima)
Star (Avenida Guerra Junqueiro)
Castil (Rua Castilho)
SLB (Benfica)
A primeira vez que recebi um e-mail com estas fotografias foi em Setembro do ano passado, através do Hugo. Nessa altura, guardei-o, muito bem guardadinho, nos arquivos do meu computador. Agora, passados oito meses, volto a receber o mesmo e-mail, através de um outro cinéfilo. A diferença é que já não resisto a partilhar estas imagens com os leitores do Mise en Abyme.
Só lamento que não haja nenhum registo fotográfico dos cinemas Alfa, no Areeiro. Foram um marco na minha infância. Ainda me lembro de passar por lá e de ver os funcionários a trocarem as letras das estreias.

06 maio 2008

Lisboa aqui tão perto

Vida(s)

Há aspectos admiráveis neste povo inglês que se passeia pelas ruas de Londres. Muitas inglesas, por exemplo, não têm pejo nenhum em andarem overdressed pelo metro, autocarros e ruas. Esteja um bonito dia de sol ou um frio de rachar, é vê-las, altas ou baixas, magras ou gordalhufas, com um decote até ao umbigo, mangas cavas e, a cereja no topo do bolo, sandálias de salto alto.
As crianças, por sua vez, passeiam de trela. Literalmente. Os pais controlam-nas através de uma trela presa na barriga e dão-lhes pouquíssimo espaço de manobra. Já os homens ganham aos pontos. Regra geral, conservam aquele ar de Sir e têm qualquer coisa de aristocrático nos gestos.
O mais engraçado, para uma outsider como eu, é constatar o quão obediente é este mesmo povo que se deixa conduzir por uma série de regras e avisos afixados em qualquer canto londrino. Stay on the right side, mind the gap, olhe para a esquerda, no way, não coma alimentos com cheiro intenso, não ouça música alta, não alimente os patos. E não pense o incauto leitor que isto é uma crítica negativa. Pelo contrário.

Após três semanas longe de Portugal, e apesar de saber que os lisboetas andam felizes da vida a chapinhar no Guincho e na Costa, devo dizer que a cadeia HMV tem realizado muitos dos meus sonhos. Parece mentira que se possam comprar três dvd’s por cinco libras, não parece? Mas não é. E três dvd’s que são American History X, Analyze This e, a grande revelação desta semana, The Wind That Shakes the Barley, vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2006. Good Lord!

P.S. A única coisa que, até agora, me aborrece é não encontrar guardanapos em lado nenhum. Já fui a três supermercados diferentes – Tesco, Marks & Spencer, Waitrose – e nada! Pior do que não encontrar guardanapos à venda, é ter de aturar os funcionários, sempre simpáticos e disponíveis, a impingirem Kleenex's como se fossem guardanapos… Please…

02 maio 2008

A filha deles

Linn Ullmann (1966, Oslo) é uma das jornalistas mais conceituadas da Noruega e uma escritora de sucesso. Filha de Liv Ullmann e de Ingmar Bergman.

Scarlett Johansson sings...


28 abril 2008

Crónica de uma desempregada

É difícil arranjar um rótulo para a minha situação aqui em Londres. Não sou propriamente uma turista e também não sou uma local (This is a local shop for local people. Are you local?). Aquilo que sei é que, por enquanto, sou uma estrangeira desempregada. E, como tal, faço vida de estrangeira desempregada: passeio e vejo dvd’s. Há algum tempo que não escrevo sobre filmes e hoje acordei com vontade de o fazer.

Em terceiro lugar, isto porque resolvi criar um pódio para as películas que ando a ver, colocarei a trilogia Jason Bourne. Três filmes que tentam responder a três questões existenciais: "quem sou eu?", "o que é que eu fiz?" e "de onde vim?". Filmes irrepreensíveis com um Matt Damon que não pára de me surpreender. Palavra. Qualquer dia, serei chicoteada em plena praça pública pelas monstruosidades que proferi sobre ele na altura de Good Will Hunting. Garanto que estou arrependida e espero que, neste caso, o arrependimento me livre do castigo.

Em segundo lugar, uma autêntica surpresa. Shattered Glass foi realizado em 2003 e conta-nos o começo de carreira verídico de Stephen Glass, jornalista e exímio contador de histórias, que escrevia para o The New Republic e inventava grande parte dos artigos publicados.
Resolvi dar-lhe uma oportunidade quando olhei para o elenco e vi o nome da Chloë Sevigny nas personagens principais. Confesso que não estou arrependida. Ainda por cima, Hayden Christensen surpreende no papel principal e consegue anular, por momentos, as suas prestações como Anakin Skywalker / Darth Vader.

E agora, em primeiríssimo lugar, um filme que já devia ter sido visto nos primeiros meses de 2006. Perdoa-me o atraso, sim? The Loneliness of the Long Distance Runner lembrou-me, quase minuto a minuto, o À bout de souffle. Claro que são filmes muito diferentes. Claro que não há nenhuma mulher em The Loneliness que se possa sequer comparar a Jean Seberg. No entanto, aqueles dois homens, Courtenay e Belmondo, completos anarquistas, filmados e montados com uma velocidade e uma brutalidade muito próprias da nouvelle vague, desejam o mesmo: vencer o sistema. E só um deles consegue.

23 abril 2008

Estado de espírito

Parapeitos - vida a dois

Dias com sol e com a temperatura certa ou dias cheios de chuva. Londres tem destas coisas. Nunca sabemos como vai acordar o dia. De uma forma ou de outra, é sempre um prazer sair à rua. Hoje terei de ser realmente veloz se ainda quero apanhar a última exposição da Royal Academy of Arts, mesmo aqui perto.
Digam o que disserem, Londres é sinónimo de qualidade de vida. E, já agora, também é sinónimo de uma variedade incrível de árvores e de pássaros.

16 abril 2008

Adeus Lisboa

Parava no café quando eu lá estava

Na voz tinha o talento dos pedintes

Entre um cigarro e outro lá cravava

a bica, ao melhor dos seus ouvintes

As mãos e o olhar da mesma cor

Cinzenta como a roupa que trazia

Um gesto que podia ser de amor

Sorria, e ao partir agradecia

São os loucos de Lisboa

Que nos fazem duvidar

A Terra gira ao contrário

E os rios nascem no mar

Um dia numa sala do quarteto

Passou um filme lá do hospital

Onde o esquecido filmado no gueto

Entrava como artista principal

Comprámos a entrada p'ra sessão

Pra ver tal personagem no écran

O rosto maltratado era a razão

De ele não aparecer pela manhã

Mudámos muita vez de calendário

Como o café mudou de freguesia

Deixámos de tributo a quem lá pára

Um louco a fazer-lhe companhia

É sempre a mesma pose o mesmo olhar

De quem não mede os dias que vagueiam

Sentado lá continua a cravar

Beijinhos às meninas que passeiam.

Loucos de Lisboa
Ala Dos Namorados
João Gil / João Monge

13 abril 2008

Pela noite fora


Sempre gostei de estudar e de trabalhar pela noite fora. Exactamente naquelas horas em que o comum dos mortais dorme profundamente e o telemóvel está mudo. Sem barulho, sem passos pela casa, sem vozes na rua. Nada.
Numa das últimas noites, aconteceu-me estar a trabalhar numa tarefa quase mecânica que me permitia ter a televisão ligada, como mera companhia. Durante as primeiras horas de trabalho, estive acompanhada pelo meu mais recente guilty pleasure, uma série sem grande qualidade, mas que me entretém quando preciso de ser entretida. Ainda por cima, no meio de um elenco sofrível, surgem dois grandes protagonistas: o James Woods e a Danielle Panabaker.
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Passados três episódios ininterruptos e o fecho da emissão, fui obrigada a mudar de canal e a enfrentar dois horrores inenarráveis: a Mia Farrow num suposto filme intitulado Coming Soon, com um cabelo cor-de-laranja indescritível, muito mais assustador do que o da Julianne Moore no The Big Lebowski; e a Michelle Pfeiffer a contracenar com o Jeff Goldblum, que sempre me pareceu irmão gémeo do Shyamalan, num filme de John Landis, com quem é impossível não simpatizar, mas que assinou esta estucha pseudo romântica e policial, de seu nome Into the Night.

Dois filmes vistos e muito trabalho adiantado, caí no erro de achar que eram horas de dormir. Mas foi exactamente quando desliguei o computador e a televisão que me pus a pensar nela, na Alexandra Maria Lara. Porquê não sei, mas foi graças a ela que desfrutei de uma longa insónia. Revi mentalmente as suas prestações no Der Untergang, no Control e no Youth Without Youth e reflecti no quanto sofrerei se ela permitir que a transformem numa star americanizada. Será realmente penoso se a Alexandra Maria Lara seguir um percurso semelhante ao da Scarlett Johansson, que bem podia abrandar o ritmo antes que esgote as potencialidades da sua imagem e do seu talento aos vinte e poucos anos.
E bom. Tenho dito. Talvez já sejam horas de adormecer.

11 abril 2008

Então e Londres?

You Belong in Amsterdam



A little old fashioned, a little modern - you're the best of both worlds. And so is Amsterdam.

Whether you want to be a squatter graffiti artist or a great novelist, Amsterdam has all that you want in Europe (in one small city).


03 abril 2008

Gostar de homens *



* Porque, afinal de contas, também há homens com muito que se lhes diga.