23 abril 2008

Parapeitos - vida a dois

Dias com sol e com a temperatura certa ou dias cheios de chuva. Londres tem destas coisas. Nunca sabemos como vai acordar o dia. De uma forma ou de outra, é sempre um prazer sair à rua. Hoje terei de ser realmente veloz se ainda quero apanhar a última exposição da Royal Academy of Arts, mesmo aqui perto.
Digam o que disserem, Londres é sinónimo de qualidade de vida. E, já agora, também é sinónimo de uma variedade incrível de árvores e de pássaros.

16 abril 2008

Adeus Lisboa

Parava no café quando eu lá estava

Na voz tinha o talento dos pedintes

Entre um cigarro e outro lá cravava

a bica, ao melhor dos seus ouvintes

As mãos e o olhar da mesma cor

Cinzenta como a roupa que trazia

Um gesto que podia ser de amor

Sorria, e ao partir agradecia

São os loucos de Lisboa

Que nos fazem duvidar

A Terra gira ao contrário

E os rios nascem no mar

Um dia numa sala do quarteto

Passou um filme lá do hospital

Onde o esquecido filmado no gueto

Entrava como artista principal

Comprámos a entrada p'ra sessão

Pra ver tal personagem no écran

O rosto maltratado era a razão

De ele não aparecer pela manhã

Mudámos muita vez de calendário

Como o café mudou de freguesia

Deixámos de tributo a quem lá pára

Um louco a fazer-lhe companhia

É sempre a mesma pose o mesmo olhar

De quem não mede os dias que vagueiam

Sentado lá continua a cravar

Beijinhos às meninas que passeiam.

Loucos de Lisboa
Ala Dos Namorados
João Gil / João Monge

13 abril 2008

Pela noite fora


Sempre gostei de estudar e de trabalhar pela noite fora. Exactamente naquelas horas em que o comum dos mortais dorme profundamente e o telemóvel está mudo. Sem barulho, sem passos pela casa, sem vozes na rua. Nada.
Numa das últimas noites, aconteceu-me estar a trabalhar numa tarefa quase mecânica que me permitia ter a televisão ligada, como mera companhia. Durante as primeiras horas de trabalho, estive acompanhada pelo meu mais recente guilty pleasure, uma série sem grande qualidade, mas que me entretém quando preciso de ser entretida. Ainda por cima, no meio de um elenco sofrível, surgem dois grandes protagonistas: o James Woods e a Danielle Panabaker.
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Passados três episódios ininterruptos e o fecho da emissão, fui obrigada a mudar de canal e a enfrentar dois horrores inenarráveis: a Mia Farrow num suposto filme intitulado Coming Soon, com um cabelo cor-de-laranja indescritível, muito mais assustador do que o da Julianne Moore no The Big Lebowski; e a Michelle Pfeiffer a contracenar com o Jeff Goldblum, que sempre me pareceu irmão gémeo do Shyamalan, num filme de John Landis, com quem é impossível não simpatizar, mas que assinou esta estucha pseudo romântica e policial, de seu nome Into the Night.

Dois filmes vistos e muito trabalho adiantado, caí no erro de achar que eram horas de dormir. Mas foi exactamente quando desliguei o computador e a televisão que me pus a pensar nela, na Alexandra Maria Lara. Porquê não sei, mas foi graças a ela que desfrutei de uma longa insónia. Revi mentalmente as suas prestações no Der Untergang, no Control e no Youth Without Youth e reflecti no quanto sofrerei se ela permitir que a transformem numa star americanizada. Será realmente penoso se a Alexandra Maria Lara seguir um percurso semelhante ao da Scarlett Johansson, que bem podia abrandar o ritmo antes que esgote as potencialidades da sua imagem e do seu talento aos vinte e poucos anos.
E bom. Tenho dito. Talvez já sejam horas de adormecer.

11 abril 2008

Então e Londres?

You Belong in Amsterdam



A little old fashioned, a little modern - you're the best of both worlds. And so is Amsterdam.

Whether you want to be a squatter graffiti artist or a great novelist, Amsterdam has all that you want in Europe (in one small city).


03 abril 2008

Gostar de homens *



* Porque, afinal de contas, também há homens com muito que se lhes diga.

02 abril 2008

The Bucket List


Rob Reiner. O genro do insuportável Archie na série All in the Family, o realizador de Stand by Me e de Misery, filme que mencionei logo no início deste blogue, há tanto tempo que nem me reconheço naquilo que escrevi, e o mentor do recente The Bucket List. Os críticos dirão, e vejo-me obrigada a concordar com eles, que The Bucket List é frívolo e que se baseia no desempenho de dois actores que ligaram o piloto automático para interpretarem as personagens com que já nos habituaram: Jack Nicholson, o egoísta desenfreado; Morgan Freeman, o sensato e cauteloso.
É verdade. Mas também é verdade que The Bucket List é uma lição de vida para aqueles que a quiserem compreender.
Dois homens, moribundos e a caminho da resignação, impediram que o rumo da vida decidisse por eles. Carter and I saw the world together, diz Jack Nicholson a determinada altura. Ao contrariarem o rumo da vida, estes homens escolheram ver o mundo em vez de aceitarem uma jornada de auto-complacência e de sofrimento. E aqui, nesta decisão conjunta, reside aquilo que me fez gostar deste filme ao ponto de continuar a aplaudir Rob Reiner: a coragem de Carter Chambers ao fazer frente à mulher, aos filhos e ao socialmente aceite. Doa a quem doer. Porque é exactamente disto que este filme trata: de coragem. E também de sarcasmo. Um delicioso sarcasmo que não nos distrai excessivamente, mas que permite umas boas gargalhadas: What does a snail have to do to reincarnate? Leave the perfect trail of slime?
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Good afternoon. My name is Edward Cole. I don't know what most people say at these occasions because in all honesty, I've tried to avoid them. The simplest thing is I loved him and I miss him. Carter and I saw the world together, which is amazing when you think that only three months ago we were complete strangers. I hope that it doesn't sound selfish of me, but the last months of his life were the best months of mine. He saved my life, and he knew it before I did. I'm deeply proud that this man found it worth his while to know me. In the end, I think it's safe to say that we brought some joy to one another's lives, so one day, when I go to some final resting place, if I happen to wake up next to a certain wall with a gate, I hope that Carter's there to vouch for me and show me the ropes on the other side.

25 março 2008

A todos os imprevistos


Homenagem à beleza etérea – VIII


Faye Dunaway. Depois de Liv Ullmann, Claudia Cardinale, Jacqueline Bisset, Bibi Andersson, Saffron Burrows, Inés Sastre e Eva Green. Depressiva e instável. Fosse como Bonnie Parker ou como Evelyn Mulwray. Sedutora na sua aparente fraqueza. Obscura na sua enorme perfeição.

23 março 2008

“Correntes malvadas”

Obrigada ao Miguel pelas fotografias absolutamente incríveis da nossa Emmanuelle Béart. Em tom de agradecimento, aqui ficam as minhas doze palavras.




Amor





Belo




Bestial





Calçada




Carisma




Girassol





Grade





Guilhotina





Morte




Película




Perfil



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Turquesa

Passo o desafio às seguintes doze pessoas: Concha, Daniel, Duarte, Francisco, Francisco Nogueira, Jóia de Família, Juliette, Marianne, MKB, Pipoca, Tânia Alexandre e Wasted (forma de pressão).

Veremos quem alinhará!

19 março 2008

No one said it would be easy



Listen to me. What happened between Mrs. Robinson and me was nothing.
It didn't mean anything. We might just as well have been shaking hands.
-
Benjamin Braddock / The Graduate

09 março 2008

Rua Garrett, nº 72






9 de Março, Domingo – das 11h às 18h
10 de Março, Segunda - das 11h às 20h
11 de Março, Terça – das 11h às 20h
12 de Março, Quarta – das 11h às 20h
13 de Março, Quinta – das 11h às 20h
14 de Março, Sexta – das 11h às 22h
15 de Março, Sábado – das 11h às 22h
16 de Março, Domingo – das 11h às 18h

Agora escolha



07 março 2008

Um belíssimo acordar

( Stop )
Oh yes, wait a minute
Mister Postman
( Wait )
Wait Mister Postman

Please Mister Postman look and see
( Oh yeah )
If there's a letter in your bag for me
( Please, Please, Mister Postman )
Why's it takin' such a long time
( Oh yeah )
For me to hear from that boy of mine

There must be
Some word today
From my boyfriend
So far away
Please Mister Postman
Look and see
If there's a letter
A letter for me

I've been standin' here
Waitin' Mister Postman
So patiently
For just a card
Or just a letter
Sayin' he's returning'
Home to me

So many days
You passed me by
See the tears
Standin' in my eyes
You didn't stop
To make me feel better
By leavin' me
A card or a letter

( Why don't you check it and see one more time
For me you gotta )
Wait a minute, wait a minute...
( Mister Postman )
Mister Postman look and see

( C'mon deliver the letter, the sooner, the better )
Mister Postman

Carpenters

Para a Leonor (sabes bem porquê!)

02 março 2008

Sósias?



The League of Gentlemen




Blackadder

29 fevereiro 2008

FEIRA DE LIVROS MANUSEADOS

3 editoras
uma mão cheia de livros

FEIRA DE LIVROS MANUSEADOS
Rua Garrett, nº 72
8 a 16 de Março


A BI, Biblioteca de editores Independentes, evoluiu. Longe vai o tempo em que a sigla BI era apenas uma colecção de livros de bolso. Hoje, BI significa muito mais do que algumas dezenas de volumes disponíveis nas melhores livrarias do país. BI é uma força editorial, constituída pela Assírio & Alvim, Relógio D’Água e Livros Cotovia, que começa, a partir de agora, a ser responsável pela criação de iniciativas pensadas para aqueles que não sabem viver sem livros. E é por isto que, com o apoio da Abraço, vai organizar uma feira de livros manuseados no Chiado.
De 8 a 16 de Março, venha à Rua Garrett e leve uma mão cheia de livros destas três editoras, a partir de 1 euro.

Horário de funcionamento

8 de Março, Sábado – das 11h às 22h
9 de Março, Domingo – das 11h às 18h
10 de Março, Segunda - das 11h às 20h
11 de Março, Terça – das 11h às 20h
12 de Março, Quarta – das 11h às 20h
13 de Março, Quinta – das 11h às 20h
14 de Março, Sexta – das 11h às 22h
15 de Março, Sábado – das 11h às 22h
16 de Março, Domingo – das 11h às 18h

24 fevereiro 2008

Óscares

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Tonight is the night e o Mise en Abyme vai juntar-se a estes senhores para assistir à cerimónia de entrega dos Óscares. Torcemos silenciosamente pelo Viggo Mortensen, mas saberemos fazer a devida vénia se o vencedor for o Tommy Lee Jones.

E, quanto ao resto, o Mise en Abyme explodirá de alegria se a Academia reconhecer o mérito a uma obra-prima como Ratatouille.

17 fevereiro 2008

Chuva e mais chuva

A existência do Mise en Abyme e a minha própria vida estão prestes a dar uma grande volta. Decidimos mudar-nos para Londres e é isso que faremos já em Abril deste ano. Estamos muito optimistas e ansiosos pela metamorfose. Hoje, pela primeira vez desde que tomámos esta decisão, sinto-me nostálgica. Calculo que a culpa seja da chuva. Assim, e porque não há melhor forma de vencer a nostalgia do que permitir que ela nos invada, resolvi fazer uma listagem daquilo que me fará realmente falta.

Amigos e familiares



Príncipe Diogo



Melides



Pão alentejano



Maravilhas



Avenidas Novas



Cinemateca




Até breve!

14 fevereiro 2008

Estado em que me encontro

Projecto de Sucessão

Para o Mário-Henrique

Continuar aos saltos até ultrapassar a Lua
continuar deitado até se destruir a cama
permanecer de pé até a polícia vir
permanecer sentado até que o pai morra

Arrancar os cabelos e não morrer numa rua solitária
amar continuamente a posição vertical
e continuamente fazer ângulos rectos

Gritar da janela até que a vizinha ponha as mamas de fora
pôr-se nu em casa até a escultora dar o sexo
fazer gestos no café até espantar a clientela
pregar sustos nas esquinas até que uma velhinha caia
contar histórias obscenas uma noite em família
narrar um crime perfeito a um adolescente loiro
beber um copo de leite e misturar-lhe nitroglicerina
deixar fumar um cigarro só até meio
abrirem-se covas e esquecerem-se os dias
beber-se por um copo de oiro e sonharem-se Índias.


António Maria Lisboa