29 fevereiro 2008

FEIRA DE LIVROS MANUSEADOS

3 editoras
uma mão cheia de livros

FEIRA DE LIVROS MANUSEADOS
Rua Garrett, nº 72
8 a 16 de Março


A BI, Biblioteca de editores Independentes, evoluiu. Longe vai o tempo em que a sigla BI era apenas uma colecção de livros de bolso. Hoje, BI significa muito mais do que algumas dezenas de volumes disponíveis nas melhores livrarias do país. BI é uma força editorial, constituída pela Assírio & Alvim, Relógio D’Água e Livros Cotovia, que começa, a partir de agora, a ser responsável pela criação de iniciativas pensadas para aqueles que não sabem viver sem livros. E é por isto que, com o apoio da Abraço, vai organizar uma feira de livros manuseados no Chiado.
De 8 a 16 de Março, venha à Rua Garrett e leve uma mão cheia de livros destas três editoras, a partir de 1 euro.

Horário de funcionamento

8 de Março, Sábado – das 11h às 22h
9 de Março, Domingo – das 11h às 18h
10 de Março, Segunda - das 11h às 20h
11 de Março, Terça – das 11h às 20h
12 de Março, Quarta – das 11h às 20h
13 de Março, Quinta – das 11h às 20h
14 de Março, Sexta – das 11h às 22h
15 de Março, Sábado – das 11h às 22h
16 de Março, Domingo – das 11h às 18h

24 fevereiro 2008

Óscares

-
Tonight is the night e o Mise en Abyme vai juntar-se a estes senhores para assistir à cerimónia de entrega dos Óscares. Torcemos silenciosamente pelo Viggo Mortensen, mas saberemos fazer a devida vénia se o vencedor for o Tommy Lee Jones.

E, quanto ao resto, o Mise en Abyme explodirá de alegria se a Academia reconhecer o mérito a uma obra-prima como Ratatouille.

17 fevereiro 2008

Chuva e mais chuva

A existência do Mise en Abyme e a minha própria vida estão prestes a dar uma grande volta. Decidimos mudar-nos para Londres e é isso que faremos já em Abril deste ano. Estamos muito optimistas e ansiosos pela metamorfose. Hoje, pela primeira vez desde que tomámos esta decisão, sinto-me nostálgica. Calculo que a culpa seja da chuva. Assim, e porque não há melhor forma de vencer a nostalgia do que permitir que ela nos invada, resolvi fazer uma listagem daquilo que me fará realmente falta.

Amigos e familiares



Príncipe Diogo



Melides



Pão alentejano



Maravilhas



Avenidas Novas



Cinemateca




Até breve!

14 fevereiro 2008

Estado em que me encontro

Projecto de Sucessão

Para o Mário-Henrique

Continuar aos saltos até ultrapassar a Lua
continuar deitado até se destruir a cama
permanecer de pé até a polícia vir
permanecer sentado até que o pai morra

Arrancar os cabelos e não morrer numa rua solitária
amar continuamente a posição vertical
e continuamente fazer ângulos rectos

Gritar da janela até que a vizinha ponha as mamas de fora
pôr-se nu em casa até a escultora dar o sexo
fazer gestos no café até espantar a clientela
pregar sustos nas esquinas até que uma velhinha caia
contar histórias obscenas uma noite em família
narrar um crime perfeito a um adolescente loiro
beber um copo de leite e misturar-lhe nitroglicerina
deixar fumar um cigarro só até meio
abrirem-se covas e esquecerem-se os dias
beber-se por um copo de oiro e sonharem-se Índias.


António Maria Lisboa

07 fevereiro 2008

Revista Time Out

(Ai Mary… Haja alguém que nos compreenda.
Vou arranjar-me e encontramo-nos lá.)

03 fevereiro 2008

Há planos assim – XIII

Natalie Portman

Scarlett Johansson

Será que os sinais estão na moda? É que se estiverem, talvez valha a pena fazer as malas e mudar-me para Hollywood.

01 fevereiro 2008

Falta de tempo

Les Amants, René Magritte

Porque não tenho tempo para ver este quadro como gostaria. Talvez um dia me transforme na Kim Novak do Vertigo e passe os dias a contemplá-lo. Quem sabe.
Presumption - Um espectáculo de Third Angel

Porque não tenho tempo para escrever sobre esta peça. Provavelmente, uma das poucas peças que não esquecerei. Vista na Culturgest, logo no início do ano.

28 janeiro 2008

Novo Ano, New Look

She's the one

Deixo-vos aqui, à laia de desculpa por mais um desaparecimento, uma sequência do último grande filme que vi. Brick não é uma obra-prima, nem um portento de realização ou de montagem. Nem precisa de ser. Aplaudido em Sundance, bastou-lhe a condição de objecto negro e macabro.

Num mundo de estudantes de liceu, subsistem criaturas quase etéreas que parecem ter saltado do cinema noir mais genuíno para a modernidade americana dos anos 90.
E esta menina – mulher – vilã, de seu nome Nora Zehetner, que vêem na fotografia e ao piano, nasceu para desempenhar o papel de Laura.

08 janeiro 2008

Definitivamente “vida nova”



Douglas Sirk / 1959

Em exibição no Nimas

06 janeiro 2008

Ano novo, vida nova

Venho tarde e a más horas mas creio que ainda é tempo de comemorar o terceiro aniversário do meu dilecto Mise en Abyme. O atraso deveu-se à falta de vontade com que tenho andado para escrever sobre 2007. Houve demasiados momentos de tristeza e de desilusão para que consiga olhar para trás com agrado.
Lembro-me de ter ido ver a peça Boneca que esteve na Sala Estúdio do Teatro Nacional de Dona Maria II. Nora Helmer, personagem das mais conhecidas da dramaturgia de Henrik Ibsen, pede dinheiro emprestado a quem não deve e forja uma assinatura para impedir que o marido morra de uma doença grave. Mais tarde, quando o marido descobre aquilo que Nora fez, reage colericamente e engendra vários planos para impedir que os actos da mulher prejudiquem a sua honra e a ascensão profissional por que lutou. Este marido, claro está, não compreendeu e não valorizou o facto de Nora ter agido por amor e, pior do que isso, ignorou a vontade e os propósitos da mulher.
No fim da peça, ainda batia palmas aos actores e a minha cabeça já estava longe, algures em 1963, observando a Camille de Le Mépris. Lá estava ela, exactamente no momento em que Paul a usa, a desrespeita e, por fim, a abandona. Precisamente no momento em que Camille desenvolve o desprezo fruto da desilusão. E não estou a mentir quando escrevo que, depois de sair do teatro, continuei a discorrer até me deparar com uma outra reminiscência, relacionada com o livro Uma História de Amor como outra qualquer de Lucía Etxebarría. A dada altura, num dos contos da autora, conhecemos um casal que certo dia se desmorona. E tudo porque a mulher deste casal descobre, tarde de mais, que há decepções morais que arruínam uma relação.
2007 foi também o ano da morte de Ingmar Bergman e de muitas outras almas superiores. Só isto já seria motivo para decretar luto perpétuo. Mas enfim. Não quero deixar a impressão de que me converti ao pessimismo. 2007, apesar de tudo, trouxe alguns truques na manga. Entre eles, destaco o meu encontro com a série Carnivàle que mencionei ali e aqui e a possibilidade de colaborar no Primeiro Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, mais conhecido como MOTELx.

Também foi o ano em que me tornei leitora compulsiva de textos como este ou este. Foi a ler estes blogues que sempre cresci qualquer coisa.
E bom, quase quase na linha final, apetece-me ainda escrever que 2007 foi também o ano em que visitei a minha primeira cidade fetiche, um melting pot denominado Londres, e em que tive a honra de ser a madrinha de um casamento votado ao sucesso. E isto tudo sem ignorar que também li o último volume da saga Harry Potter e que tal empreitada saciou a minha curiosidade durante todo o Verão.
Agora, acabado este texto, desejo fervorosamente que 2008 seja um ano melhor, muito melhor. Entretanto, vou deitar-me ali na areia à espera que o sol volte.
E UM EXCELENTE 2008 PARA TODOS!

15 dezembro 2007

Natal – época de presentes








O primeiro vídeo é dedicado ao Vasco Câmara. Algumas das suas últimas avaliações, quatro estrelas ao Harry Potter e uma estrela ao Promessas Perigosas, são a prova cabal de que este crítico precisa de ajuda.

10 dezembro 2007

Dar o braço a torcer


Aqui há uns tempos, propus que discutíssemos o talento de Viggo Mortensen. Tinha acabado de sair do A History of Violence e sentia-me ludibriada. Mais especificamente, sentia-me insatisfeita com o filme e com os actores. E, verdade seja escrita, esta sensação manteve-se até há duas semanas, altura em que assisti a Eastern Promises.
Horas depois de ter visto o filme, já longe do cinema e dos outros espectadores, julgo ter compreendido este renovado Cronenberg, menos obcecado por insectos e mais atento à condição humana no que esta tem de corpóreo e de espiritual. Eastern Promises e A History of Violence cruzam-se, complementam-se e dão a conhecer um extraordinário actor chamado Viggo Mortensen. Não sei o que será de Viggo Mortensen se chegar a haver uma separação entre Cronenberg e ele. Nunca antes, e podem escrever o que quiserem, Viggo Mortensen chegou tão longe.
Na sequência de luta, em plena sauna colectiva, Cronenberg relembra-nos de que aquilo que deve definir um cineasta é a sua capacidade de comunicar através de imagens. O verdadeiro cineasta não deve fazer uso das palavras para explicar uma cena. Se as deseja utilizar, então que as use como uma forma de iludir o espectador. A imagem, tal como no cinema mudo, deve ser compreendida por si só. E é isso que acontece nesta película. O branco dos azulejos, o sangue pelo chão, o corpo dilacerado. Não há necessidade de haver uma única palavra para que compreendamos o que está ali em jogo.
Estava a ver Eastern Promises e, sabe-se lá porquê, lembrei-me de uma conversa entre Fernando Lopes e Bénard da Costa a que assisti, talvez há dois meses, no Jardim de Inverno do São Luiz. Naquela tarde, discutia-se emocionadamente sobre o facto de a relação entre a câmara e o actor ser um dos maiores mistérios do cinema. Dito por outras palavras, ambos afirmavam que a relação entre um actor e uma câmara pode ser um caso de amor que não é tecnicamente explicável. E, neste caso, a câmara de Cronenberg está de tal forma apaixonada por Viggo Mortensen que nos deixa quase sem ar, irremediavelmente fascinados por aquele rosto e, como é natural, por aquele corpo. E isto porque o corpo de Viggo Mortensen é ainda mais premente do que ele próprio. É um corpo jovem, atlético, ágil mas é também um corpo cansado, corroído e estigmatizado que nos transmite a finitude daquele ser.
Consta que Viggo Mortensen terá partido sozinho para Moscovo, São Petersburgo e para a região da Sibéria nos Montes Urais, tendo passado semanas a percorrer a zona sem tradutor. Também consta que o actor terá estudado os "gangs" da organização Vory v Zakone, lido livros sobre a cultura das prisões russas e aperfeiçoado o sotaque siberiano da personagem. Nada disto já me espanta, a mim que dei o braço a torcer.

08 dezembro 2007

Merry Christmas





A Lana Turner, a Kim Novak e o Humphrey Bogart desejam um FELIZ NATAL e um EXCELENTE 2008 a todos os visitantes do Mise en Abyme.

01 dezembro 2007

Espero ainda vir a tempo

1)
Não percebo o alarido que se fez à volta de The Brave One. Sobretudo quando, praticamente ao mesmo tempo, estreou um filme de acção intitulado American Gangster que conta com um Denzel Washington perfeito. Aliás, ainda que The Brave One rime com Taxi Driver, seria interessante reflectir sobre o contributo de Ridley Scott a toda uma geração de películas encabeçada por The Godfather e Goodfellas.
2)
Não compreendo o silêncio instaurado em torno de A Outra Margem. Será que aquele opening deixa alguém indiferente? (Belíssima conjunção entre o estalar de uma cremação e o playback de Filipe Duarte.) Posso ser suspeita porque, afinal de contas, sempre defendi o trabalho de Luís Filipe Rocha. Gosto de A Passagem da Noite e do Adeus, Pai. Mas, suspeita ou não, custa-me muito que o ignorem.

19 novembro 2007

Abram alas ao frio


Cara pálida. Olheiras profundas. Pele transformada em escamas. Alergias. Pingos no nariz. Frio constante. Molhas matutinas.
(E viva o Inverno!)

16 novembro 2007

E persisto



Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
(...)

Sophia de Mello Breyner Andresen

10 novembro 2007

Eu estive lá

Peguei no meu vestido de Marilyn Monroe, desafiei a sósia da Helen Hunt e lá fomos as duas, cheias de glamour e inocência, à primeira noite do European Film Festival. Chegadas à porta do Casino do Estoril, cruzámo-nos com o Pedro Almodóvar e as suas divas. Respirámos fundo e dirigimo-nos ao salão onde foi servido o jantar.
Apesar do meu colossal astigmatismo, estava seriamente convencida de que ia ver o Bernardo Bertolucci, a Asia Argento, a Carole Bouquet e a Chiara Mastroianni. Esforcei-me ao máximo para os localizar no meio daquela salganhada de gente mas não consegui. Nada. À nossa volta, só pairavam meninos do Estoril de fato e gravata, apresentadores da TVI de smoking, gestores insuportavelmente bem sucedidos, editores arrogantes e portuguesas atarracadas. Uma enorme desilusão. E, no meio de tudo isto, o gangster do Paulo Branco, cheio de si, a passear-se de um lado para o outro.
Veio a comida. Sopa de lavagante e coxas de pato para animar as hostes. Saboroso, sem dúvida, mas o desencanto já pairava. Seguiu-se o Rodrigo Leão e ninguém se calou para o ouvir. Continuavam os mexericos, as conversas de chacha e um enorme tédio. Nada de cinema, nada de cinéfilos, nada de estimulante. A sósia da Helen Hunt e eu viemos embora. Já não tínhamos alento para ouvir o Bernardo Sassetti. Cheguei a casa, adormeci e as palavras do Daniel ecoaram nos meus sonhos.

Acabando com as citações e pegando nestas últimas palavras, este Festival de Cinema Europeu não vai fugir ao estatuto de evento. Casino Estoril e Cascais Villa? Bilhetes a 4 e 6 euros? Os filmes em competição vão ter futuro diferente dos do Doc ou do Indie? O objectivo principal é ter projecção e estimular a reflexão? Não me fodam. O curioso desta entrevista é que tudo o que é negativamente apontado ao Doc, vai poder ser apontado a este, quase de certeza.Dito isto, falta dizer que na Competição deverão estar umas pérolas que pouca gente vai ver e outros filmes mauzinhos, a mostra fora de competição é interessante e bem que gostaria de pôr coisas em dia, mas o combustível é um roubo, não tenho passe de comboio e mesmo que tivesse demoraria mais de uma hora a lá chegar. Não meto lá os pés.