16 abril 2007

Das Leben der Anderen

Amparo



Cárcere

Metamorfose



Protecção

Reciprocidade



Repugnância

12 abril 2007

E eis que tudo ganha sentido



O último filme de David Lynch não recupera o fascínio de Mulholland Drive e nem a humanidade dos já clássicos The Straight Story e The Elephant Man. Aliás, INLAND EMPIRE consegue destacar-se de toda a obra do cineasta e de toda a oferta cinematográfica que por aí anda. No entanto, não me comoveu e não me perturbou. Senti-o longo e tive de suportar o seu ritmo arrastado. Valeu a pena? Sem dúvida. Porquê? Sobretudo porque aquilo que me interessa verdadeiramente é a ousadia de usar o cinema como pretexto para chegar cada vez mais longe. E David Lynch vai muito longe neste INLAND EMPIRE.
Não pensei que fosse possível filmar o sonho de forma tão verosímil e perfeita. Verosímil? Sem dúvida. Quem costuma acordar a meio da noite com pesadelos sabe do que estou a falar. Um macaco que se repete, umas gargalhadas que ecoam, uma frase que já se ouviu, uma atitude inexplicável, uma vontade de mudar o rumo dos acontecimentos – pormenores oníricos amalgamados com um perfeito domínio sobre o surrealismo. (Mas é possível dominar o surrealismo? David Lynch consegue.) Estamos no domínio dos sonhos, no mundo dos sonhos. Estamos também muito longe da terra dos sonhos de Jorge Palma onde “podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal”. Neste sonho, podemos perder a dignidade e até mesmo a vida.
Está tudo à nossa frente, mesmo à frente dos nossos olhos para que possamos ver. Ver e não compreender. Quem é que disse que o cinema tem de ser compreendido? E lá me recordo do João César Monteiro que ousou perguntar se o cinema tem mesmo de ser visto. (Invejo esta capacidade de pôr o cinema em causa, de o questionar enquanto arte e enquanto objecto de entretenimento.)
David Lynch é um libertino. Manipula o conceito de cinema e manipula-nos a todos nós. E ainda bem.
Boa noite.

Não Vi o Livro, mas Li o Filme

19 e 20 de Abril de 2007
Programa

10 abril 2007

Waiting



(Agora que estou na mesma situação do que a minha querida Marianne, decidi plagiá-la sem dó nem piedade. Desculpa…)

05 abril 2007

Ciclo Jorge Silva Melo

Por ocasião do lançamento do livro de memórias de Jorge Silva Melo, organizou-se um ciclo de cinema que terá lugar nas instalações da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema. Constituído por películas que marcaram a vida do autor e que são recordadas ao longo das páginas da obra Século Passado, este ciclo será exibido durante os meses de Abril e de Maio.

Programação para Abril:

17/4 19.00

Sophia de Mello Breyner Andresen
LA RAGAZZA CON LA VALIGIA


20/4 19.30

NANA


24/4 22.00

ADIEU PHILIPPINE


26/4 21.30

TWO WEEKS IN ANOTHER TOWN


27/4 19.00

WANDA

02 abril 2007

Jorge Silva Melo



Deambula por cafés e cinemas que já não existem, ressuscitando mitos mortos e esquecidos. Elogia a verdadeira liberdade, aquela que sobressai no Play Time de Jacques Tati e no Terra Bruta de John Ford. Assume-se como discípulo de Raoul Walsh e promete, na rodagem dos seus próprios filmes, seguir o Mestre e filmar a vida dos homens sem Deus, sem moral e sem sentença.
Não poupa repreensões aos críticos de cinema que denomina como sábios doutores da crítica para sempre parados no passado. Com o mesmo regozijo, aplaude João Bénard da Costa, considera-o um modelo a seguir e reconhece-lhe a capacidade de, através da escrita, fazer ver a vida. Recorda a altura em que foi aluno de Mário Dionísio e mostra-se grato por ter aprendido o verdadeiro papel da literatura. Encontra-se nos livros mortos que recorda da adolescência e nas preciosidades descobertas em alfarrabistas.
Define os actores de teatro não apenas pelos papéis que fizeram mas também por aqueles que gostaria que tivessem feito. Recua no tempo e evoca o Teatro Moderno de Lisboa, feito por gente digna, cheia de entusiasmo e de vontade de fazer uma coisa nova. Tal como ele próprio, diríamos nós agora.

Em suma, Jorge Silva Melo, com o olho clínico do observador, a delicadeza do amigo, a fragilidade do ser humano, o devaneio do viajante e a nostalgia da cultura. O mesmo homem que inicia as suas memórias com uma frase de Simone Weil – a nossa vida real é, em mais de três quartos, composta de imaginação e de ficção.
É ele, Jorge Silva Melo, um dos maiores vultos da cultura portuguesa e o autor de Século Passado. Uma obra que é o retrato eficaz de um século e de uma época manchados pelo salazarismo mas coloridos por uma vida cultural transbordante, em que as pessoas do meio intelectual trabalhavam por uma causa comum. Uma obra em que a capacidade de inter-relacionar, de compreender e de interpretar as conexões interdisciplinares e interculturais que pairam à nossa volta é alucinante. O carácter específico de disciplinas como a literatura, o cinema, a música, a pintura, a arquitectura e o teatro perde o seu sentido numa reflexão como esta que as confunde e baralha sem nunca perturbar o leitor. Numa única página, debruçamo-nos sobre a obra de Beethoven, ao mesmo tempo que reflectimos sobre Michel Piccoli e recordamos Van Gogh.

Estou finalmente velho e o que vivi já é tempo de memórias. […] Vivemos e trabalhamos e alteramo-nos e inventamos outras coisas e outras formas – os que conseguem.

28 março 2007

Performance tão genial quanto imprevista

Music and Lyrics


Desde o Everyone Says I Love You que não a ouvia cantar e soube-me tão bem. E o Hugh Grant? A provar que ainda pode contribuir para a evolução da comédia romântica?
Quem diria?

27 março 2007

Ciclo Paul Bowles – CCB

The Sheltering Sky ou Um Chá no Deserto
Bernardo Bertolucci

Port Moresby: Could you be happy here?
Kit Moresby: Happy? Happy? How do you mean?

Narrator: Because we don't know when we will die, we get to think of life as an inexhaustible well, yet everything happens only a certain number of times, and a very small number, really. How many more times will you remember a certain afternoon of your childhood, some afternoon that's so deeply a part of your being that you can't even conceive of your life without it? Perhaps four or five times more, perhaps not even that. How many more times will you watch the full moon rise? Perhaps twenty. And yet it all seems limitless.
Pequeno Auditório cheio. Pessoas sentadas pelas escadas. Debra Winger no ecrã – que saudades desde Shadowlands. Lá está ela, chamam-lhe Kit Moresby. Incrível, lânguida, a sofrer por uma morte pressagiada. Mais tarde, depois da consumação daquela, há-de recusar o encontro com o luto.

Ciclo Paul Bowles – CCB

Confissão

É verdade que fiquei irritada com o Daniel Blaufuks depois de ter visto o documentário Um Pouco Mais Pequeno que o Indiana. Mas também é verdade que acabo de me reconciliar com o seu trabalho. A pequena exposição de fotografias a preto e branco, tiradas em Tânger, que está em exibição no CCB é qualquer coisa de extraordinário. Até 22 de Abril.

21 março 2007

Há planos assim – XI

Só por este monstro já teria valido a pena…

20 março 2007

Grandes filmes


A propósito da crítica de Jorge Mourinha em relação ao The Good Shepherd, há um parágrafo que não me sai da cabeça – Foi uma longa viagem para pôr o projecto de pé, para se debater com a indiferença de uma crítica displicente para com o filme, com o desinteresse do público, com a injustíssima ausência dos Óscares. Sejamos realistas: não é um grande filme, e não é só Coppola que nos vem à cabeça – há algo da desmesura de Oliver Stone nos seus tempos áureos, no desafio louco de entrecruzar o público e o privado, a Grande História e as pequenas histórias.
Assinaria por baixo se não fosse esta curta frase: Sejamos realistas: não é um grande filme. O que falta então a The Good Shepherd para ser um grande filme? O que querem os críticos? Não sei, não compreendo e, mais uma vez, prefiro ignorá-los. Robert De Niro surpreende com uma realização irrepreensível, sem movimentos de câmara excessivos. Nada falha ao longo de 167 minutos de uma segurança inabalável, entre flashbacks e flashforwards, reconstituições históricas, silêncios e mortes.
Recordo-me de que, aqui há bem pouco tempo, os críticos aplaudiram The Black Dahlia e nem levaram em conta as sucessivas incoerências de Brian De Palma. Pelo contrário, compararam-no quase automaticamente a obras-primas como Double Indemnity ou Out of the Past. Ora bem, eis que hoje acordei a pensar em The Good Shepherd e no quanto gostei dele. Para quem me conhece, há certos pormenores que facilmente me conquistam. Não é todos os dias que vejo a Angelina Jolie a abdicar do seu lado carnal para se transformar numa espécie de mártir mal-amada. Também não é todos os dias que reencontro Joe Pesci, John Turturro e William Hurt. Mas garanto que não foi só o elenco que me subjugou.
Na minha relação com o cinema, ando sempre à procura de películas que questionem os limites do cinema, que é como quem diz, os limites da vida. E confesso que me senti agradecida com a personagem de Matt Damon. (Permitam-me a ressalva: a minha relação com o cinema está longe de ser consequente. Houve alturas em que só a presença de Matt Damon em “coisas” como o Good Will Hunting era suficiente para me afastar do ecrã.) Um homem que nunca pôde planear a sua vida, um homem que nunca pôde tomar decisões, um homem que nunca teve controlo sobre si. E que, no entanto, sempre agiu de acordo com um cerradíssimo código moral, representando assim o estereótipo da rectidão, desde o caminho que percorre até à impecabilidade dos seus fatos, cabelo e óculos. É o tal Bom Pastor que tudo sacrifica em prol de um bem maior. Haverá homens assim? De repente, ocorrem-me o Montgomery Clift do I Confess e o David Strathairn do Good Night, and Good Luck. Grandes filmes, tal como The Good Shepherd.

12 março 2007

Quando o Herman era o maior

Yakari - the first step

My song - II

My song

A long, long time ago...
I can still remember
How that music used to make me smile.
And I knew if I had my chance
That I could make those people dance
And, maybe, they’d be happy for a while.

But February made me shiver
With every paper I’d deliver.
Bad news on the doorstep;
I couldn’t take one more step.

I can’t remember if I cried
When I read about his widowed bride,
But something touched me deep inside
The day the music died.

So bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
And them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
Singin’, "this’ll be the day that I die.
"this’ll be the day that I die."

Did you write the book of love,
And do you have faith in God above,
If the Bible tells you so?
Do you believe in rock ’n roll,
Can music save your mortal soul,
And can you teach me how to dance real slow?

Well, I know that you’re in love with him
`cause I saw you dancin’ in the gym.
You both kicked off your shoes.
Man, I dig those rhythm and blues.

I was a lonely teenage broncin’ buck
With a pink carnation and a pickup truck,
But I knew I was out of luck
The day the music died.

I started singin’,
"bye-bye, miss american pie."
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
And singin’, "this’ll be the day that I die.
"this’ll be the day that I die."

Now for ten years we’ve been on our own
And moss grows fat on a rollin’ stone,
But that’s not how it used to be.
When the jester sang for the king and queen,
In a coat he borrowed from james dean
And a voice that came from you and me,

Oh, and while the king was looking down,
The jester stole his thorny crown.
The courtroom was adjourned;
No verdict was returned.
And while Lennon read a book on Marx,
The quartet practiced in the park,
And we sang dirges in the dark
The day the music died.

We were singing,
"bye-bye, miss american pie."
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
And singin’, "this’ll be the day that I die.
"this’ll be the day that I die."

Helter skelter in a summer swelter.
The birds flew off with a fallout shelter,
Eight miles high and falling fast.
It landed foul on the grass.
The players tried for a forward pass,
With the jester on the sidelines in a cast.

Now the half-time air was sweet perfume
While the sergeants played a marching tune.
We all got up to dance,
Oh, but we never got the chance!
`cause the players tried to take the field;
The marching band refused to yield.
Do you recall what was revealed
The day the music died?

We started singing,
"bye-bye, miss american pie."
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
And singin’, "this’ll be the day that I die.
"this’ll be the day that I die."

Oh, and there we were all in one place,
A generation lost in space
With no time left to start again.
So come on: Jack be nimble, Jack be quick!
Jack flash sat on a candlestick
Cause fire is the devil’s only friend.

Oh, and as I watched him on the stage
My hands were clenched in fists of rage.
No angel born in hell
Could break that satan’s spell.
And as the flames climbed high into the night
To light the sacrificial rite,
I saw satan laughing with delight
The day the music died

He was singing,
"bye-bye, miss american pie."
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
And singin’, "this’ll be the day that I die.
"this’ll be the day that I die."

I met a girl who sang the blues
And I asked her for some happy news,
But she just smiled and turned away.
I went down to the sacred store
Where I’d heard the music years before,
But the man there said the music wouldn’t play.

And in the streets: the children screamed,
The lovers cried, and the poets dreamed.
But not a word was spoken;
The church bells all were broken.
And the three men I admire most:
The father, son, and the holy ghost,
They caught the last train for the coast
The day the music died.

And they were singing,
"bye-bye, miss american pie."
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
And them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
Singin’, "this’ll be the day that I die.
"this’ll be the day that I die."

They were singing,
"bye-bye, miss american pie."
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
Singin’, "this’ll be the day that I die."
Don McLean - American Pie

11 março 2007

Mr. Bean - my favorite one

Pormenores de uma viagem – II

Há uma expressão que pode definir Londres: museus gratuitos. A isto é que eu chamo qualidade de vida. Uma pessoa acorda num sábado de manhã e vai direitinha até à Tate Modern. Uma vez lá, pode pasmar o tempo que quiser em frente a isto ou mesmo em frente a isto que deve ser das montagens mais fantásticas a que já assisti. Christian Marclay é definitivamente um nome a não esquecer.
P.S. A tal montagem foi filmada e colocada no You Tube – aqui e aqui

Pormenores de uma viagem

06 março 2007