
A propósito da crítica de Jorge Mourinha em relação ao The Good Shepherd, há um parágrafo que não me sai da cabeça – Foi uma longa viagem para pôr o projecto de pé, para se debater com a indiferença de uma crítica displicente para com o filme, com o desinteresse do público, com a injustíssima ausência dos Óscares. Sejamos realistas: não é um grande filme, e não é só Coppola que nos vem à cabeça – há algo da desmesura de Oliver Stone nos seus tempos áureos, no desafio louco de entrecruzar o público e o privado, a Grande História e as pequenas histórias.
Assinaria por baixo se não fosse esta curta frase: Sejamos realistas: não é um grande filme. O que falta então a The Good Shepherd para ser um grande filme? O que querem os críticos? Não sei, não compreendo e, mais uma vez, prefiro ignorá-los. Robert De Niro surpreende com uma realização irrepreensível, sem movimentos de câmara excessivos. Nada falha ao longo de 167 minutos de uma segurança inabalável, entre flashbacks e flashforwards, reconstituições históricas, silêncios e mortes.
Recordo-me de que, aqui há bem pouco tempo, os críticos aplaudiram The Black Dahlia e nem levaram em conta as sucessivas incoerências de Brian De Palma. Pelo contrário, compararam-no quase automaticamente a obras-primas como Double Indemnity ou Out of the Past. Ora bem, eis que hoje acordei a pensar em The Good Shepherd e no quanto gostei dele. Para quem me conhece, há certos pormenores que facilmente me conquistam. Não é todos os dias que vejo a Angelina Jolie a abdicar do seu lado carnal para se transformar numa espécie de mártir mal-amada. Também não é todos os dias que reencontro Joe Pesci, John Turturro e William Hurt. Mas garanto que não foi só o elenco que me subjugou.
Na minha relação com o cinema, ando sempre à procura de películas que questionem os limites do cinema, que é como quem diz, os limites da vida. E confesso que me senti agradecida com a personagem de Matt Damon. (Permitam-me a ressalva: a minha relação com o cinema está longe de ser consequente. Houve alturas em que só a presença de Matt Damon em “coisas” como o Good Will Hunting era suficiente para me afastar do ecrã.) Um homem que nunca pôde planear a sua vida, um homem que nunca pôde tomar decisões, um homem que nunca teve controlo sobre si. E que, no entanto, sempre agiu de acordo com um cerradíssimo código moral, representando assim o estereótipo da rectidão, desde o caminho que percorre até à impecabilidade dos seus fatos, cabelo e óculos. É o tal Bom Pastor que tudo sacrifica em prol de um bem maior. Haverá homens assim? De repente, ocorrem-me o Montgomery Clift do I Confess e o David Strathairn do Good Night, and Good Luck. Grandes filmes, tal como The Good Shepherd.
Assinaria por baixo se não fosse esta curta frase: Sejamos realistas: não é um grande filme. O que falta então a The Good Shepherd para ser um grande filme? O que querem os críticos? Não sei, não compreendo e, mais uma vez, prefiro ignorá-los. Robert De Niro surpreende com uma realização irrepreensível, sem movimentos de câmara excessivos. Nada falha ao longo de 167 minutos de uma segurança inabalável, entre flashbacks e flashforwards, reconstituições históricas, silêncios e mortes.
Recordo-me de que, aqui há bem pouco tempo, os críticos aplaudiram The Black Dahlia e nem levaram em conta as sucessivas incoerências de Brian De Palma. Pelo contrário, compararam-no quase automaticamente a obras-primas como Double Indemnity ou Out of the Past. Ora bem, eis que hoje acordei a pensar em The Good Shepherd e no quanto gostei dele. Para quem me conhece, há certos pormenores que facilmente me conquistam. Não é todos os dias que vejo a Angelina Jolie a abdicar do seu lado carnal para se transformar numa espécie de mártir mal-amada. Também não é todos os dias que reencontro Joe Pesci, John Turturro e William Hurt. Mas garanto que não foi só o elenco que me subjugou.
Na minha relação com o cinema, ando sempre à procura de películas que questionem os limites do cinema, que é como quem diz, os limites da vida. E confesso que me senti agradecida com a personagem de Matt Damon. (Permitam-me a ressalva: a minha relação com o cinema está longe de ser consequente. Houve alturas em que só a presença de Matt Damon em “coisas” como o Good Will Hunting era suficiente para me afastar do ecrã.) Um homem que nunca pôde planear a sua vida, um homem que nunca pôde tomar decisões, um homem que nunca teve controlo sobre si. E que, no entanto, sempre agiu de acordo com um cerradíssimo código moral, representando assim o estereótipo da rectidão, desde o caminho que percorre até à impecabilidade dos seus fatos, cabelo e óculos. É o tal Bom Pastor que tudo sacrifica em prol de um bem maior. Haverá homens assim? De repente, ocorrem-me o Montgomery Clift do I Confess e o David Strathairn do Good Night, and Good Luck. Grandes filmes, tal como The Good Shepherd.















