02 fevereiro 2007

Que bom ver-te por aqui

Forrest Gump (1994)
Breaking and Entering (2006)

23 janeiro 2007

Que isto não se volte a repetir!


Scarlett, já te disse para não andares com más companhias…

22 janeiro 2007

That tickles!

Nem sei por onde começar. Talvez pelo meu nojo epidérmico em relação ao actor. Talvez seja um bom princípio. Vamos lá recapitular: sorriso idiota no Maverick, sorriso imbecil no Forever Young, sorriso ainda mais idiota no What Women Want. Mas espera! O homem também entra em thrillers e filmes de acção. Toca a recordar: ar apalermado no Conspiracy Theory, desempenho medíocre no Signs e perninhas periclitantes no Ransom. Calma! Afinal ele também é realizador de filmes históricos. Que polivalente, que génio. Ora bem. Temos então uma profunda dificuldade em fazer enquadramentos sem cortar cabeças, um pretensioso realismo que nunca o é, um moralismo insuportável, um gosto exacerbado pela violência gratuita e uma doença chamada megalomania. Bem, parece que não sobra nada. Sobra sim! Afinal o Mel é uma pessoa fantástica, nada fundamentalista e nada detestável.

Homenagem à beleza etérea – VII




Depois de Liv Ullmann, Claudia Cardinale, Jacqueline Bisset, Bibi Andersson, Saffron Burrows e Inés Sastre, eis que chegou a altura de homenagear a beleza etérea de Eva Green. Assim, a dar ares de mulher presunçosa ao mesmo tempo que ainda é a menina Isabelle.
Just like a woman, just like a little girl

17 janeiro 2007

Finalmente!

Ainda há pastores?

Cinemateca Portuguesa
24 Janeiro, quarta-feira, 21h30

Um presente para mim


foto © Tiago Cabral

Muito obrigada!

16 janeiro 2007

My winter obsession - 24




Já sei: tudo isto é uma “objectificação” (como se actrizes de cinema que nunca veremos não fossem apenas objectos, ou seja, imagens). Não preciso de invocar em minha defesa os Godards e Truffauts. Não invoco absolutamente nada em minha defesa. Digo, confesso, que é também pela beleza feminina que vamos, que vou, ao cinema. E que o culto da beleza é um sinal de civilização.

Pedro Mexia, in Notícias Sábado, 13/1/07



13 janeiro 2007

Amadeo / Woody


A propósito de ter ido à exposição do Amadeo de Souza-Cardoso e de me ter sentido esmagada com a modernidade/actualidade artística do pintor e com os diálogos plásticos e formais entre Souza-Cardoso e os russos, lembrei-me, quase inexplicavelmente, de uma cena do Play it again, Sam.

Tal como acabará por suceder em Manhattan, Diane Keaton e Woody Allen passeiam num museu, conversando sobre os quadros expostos. A determinada altura, o protagonista tenta impressionar uma jovem rapariga.
Para alcançar o seu objectivo, Woody aproxima-se e pergunta-lhe a sua opinião acerca de uma pintura que ambos observam (What is it say to you?). No entanto, a resposta ouvida é um longo, aborrecido e despropositado discurso sobre o negativismo do universo, o vazio da existência e a degradação humana. Como forma de terminar a sequência, a personagem de Allen ainda recorre a uma tentativa desesperada (What are you planning on doing Saturday night?) mas a maçadora intelectual apenas lhe responde - Committing suicide!
(Conselho do mês: surpreenda-se com a genialidade de Amadeo de Souza-Cardoso e ria às gargalhadas com o humor de Woody Allen.)

Homenagem familiar

Gato Fedorento - Provável fonte de inspiração

Serenidade

02 janeiro 2007

2 anos - Parabéns ao Mise en Abyme

730 dias de homenagem ao cinema, umas vezes presente, outras vezes ausente. Seja como for, o Mise en Abyme vai continuar até ao dia em que deixe de fazer sentido.
Por enquanto, despeço-me com três presentinhos: dois sketches extraordinários sobre todos nós e um prodigioso exercício de representação.

Presente I

Presente II

Presente III
DIVIRTAM-SE E SEJAM BEM-VINDOS A 2007

21 dezembro 2006

Boas festas

A quem possa interessar, nasci no princípio da década de 80. As primeiras recordações cinematográficas que tenho não são visuais. São auditivas. Lembro-me nitidamente do meu avô e das coisas extraordinárias que ele dizia como o facto de as pernas da Marlene Dietrich terem estado protegidas por um seguro, o corpo da Gina Lollobrigida merecer uma estátua e o The Great Dictator ser um dos melhores filmes de sempre. Mais tarde, vieram os visionamentos em conjunto. O meu avô numa cadeira e eu deitada no sofá. Recordo-me de ter delirado com a Salome da Rita Hayworth.
Do sofá da sala, passei à cadeira dos cinemas. Todos os domingos, sem excepção, ia ao cinema com a minha irmã. Vá se lá saber porquê, os adultos que nos acompanhavam permitiam que víssemos as maiores monstruosidades. Foi nessa altura que assisti aos Kids do Larry Clark, ao Farinelli e ao Odor da Papaia Verde – talvez o maior fastio da minha infância. Mas, foi também nessa altura que vi o Shadowlands – e o meu fascínio pelo Anthony Hopkins começaria aqui – e o Il Postino – que Philippe Noiret descanse em paz.

Os dias deram lugar às noites e passei de criança a adolescente. O meu avô deixou de ser o meu companheiro ideal e a minha irmã começou a ter menos tempo para cinemas. Chegaram os amigos, as idas ao cinema em grupo e o clube de vídeo. Nesta altura, e que me perdoem todos os cinéfilos, era o City of Angels que me enchia o olho. Basicamente, gostava daquilo que me fazia chorar. Mas também adorava aquilo que me metia medo. Pode dizer-se que andava dividida entre os olhos chorosos da Meg Ryan e os olhos sombrios – que ainda hoje me arrepiam – da Kathy Bates no Misery, da Rebecca De Mornay no The Hand That Rocks the Cradle e do tubarão no Jaws. Filmes prodigiosos!
Daquela fase, ainda me acompanham os thrillers que mencionei e o Flashdance do Adrian Lyne. Digam o que disserem, ninguém me tira a minha Jennifer Beals e ninguém me rouba o prazer de guardar filmes como só meus.

E eis que chego, devagar devagarinho, à altura em que descobri o Todo sobre mi madre. Tinha ido ao cinema com a minha prima que já era uma apreciadora do realizador espanhol. De repente, fez-se uma espécie de clique e pude perceber que a minha relação com o cinema estava a começar. Anos mais tarde, olhando para trás, compreendi que foi exactamente naquele momento que comecei a ser cinema.

Seguiram-se as idas à Cinemateca com o meu amigo cinéfilo. Foi lá que fui apresentada ao Persona. Desencadeava-se então o meu amor pelo Bergman. De um momento para o outro, a minha vida tinha novos intervenientes: o Hitchcock e as divas do meu avô regressavam em força, tornavam-se parte do meu dia, invadiam as paredes do meu quarto. A adolescência passou, comecei a devorar as apreciações do Bénard da Costa, atingi o “estado adulto” e acabei a faculdade onde pude ter cadeiras de cinema.

Nestes últimos dois anos, graças à insistência do meu namorado, tenho aprendido a idolatrar realizadores que considerava demasiadamente masculinos. São eles o Francis Ford Coppola e o Martin Scorsese. Vieram juntar-se a outras obsessões como o Billy Wilder, o Manoel de Oliveira, o Nicholas Ray, o Woody Allen e tantos outros e outras.
E quanto a ódios de estimação? Ora bem. Sou uma especialista nessa matéria: desejo que a Julia Roberts e o Antonio Banderas expludam numa bola de fogo. Mas isto sou eu a exagerar, numa espécie de over-acting pessoal.

(Talvez seja a época natalícia que me leva a estas nostalgias… Seja como for, o objectivo deste texto é o de desejar boas festas e um 2007 em grande a todos os leitores do Mise en Abyme.)

Até qualquer dia.

26 novembro 2006

Procura-se vontade

A novidade
- Anda para aí um bom documentário português a tentar sair da casca. Intitula-se Ainda há pastores? e é realizado por Jorge Pelicano. Descobri-o na semana passada, em plena FNAC Almada.
- Se estão habituados ao trabalho dos documentaristas portugueses Sílvia Firmino, Catarina Mourão, Sérgio Tréfaut, Rita Azevedo Gomes e Miguel Clara Vasconcelos, preparem-se pois este é um documentário diferente de tudo o que já viram. Trata-se de um objecto surpreendente que reflecte sensibilidade mas que também denota um esforçado trabalho de som e de fotografia.
Perplexidade e vontade
- Numa fase como esta, em que o cinema documental é a nova coqueluche dos cinéfilos, não é de esperar que haja espaço para um projecto de qualidade? Pois bem. Ainda há pastores? foi recusado pelo doclisboa e tem tido problemas em arranjar uma sala lisboeta para ser exibido.
- Vamos ficar de braços cruzados ou vamos promover o cinema português? Visitem o site e entrem em contacto com o realizador. Juntos talvez consigamos arranjar a tal sala e exibir o filme em Lisboa.

21 novembro 2006

Dualidades




Esqueçam o Leo ao som da Celine Dion no Titanic. Relembrem o Leonardo de Catch Me If You Can, filme maior de Steven Spielberg. Aplaudam Leonardo DiCaprio e um incrível trabalho de actor em The Departed.

Diz-se por todos os lados mas vou repetir: o último filme de Scorsese é uma obra-prima. Dizem que nos faz viajar até Taxi Driver, Raging Bull, Goodfellas e mesmo Casino. É verdade. Mas, quanto a mim, só pensei nisso depois de sair da sala de cinema. Até lá, mantive-me presa à cadeira. The Departed é um portento de montagem, de manipulação de som, de trabalho interpretativo. The Departed é o filme de um Mestre que sabe o que faz e que, espero, ainda não está cansado de o fazer.

Mas, sejamos justos, The Departed é também um filme de actores. Já mencionei o trabalho de Leonardo DiCaprio a querer encontrar-se, a querer ser alguém mas não é justo que passe ao lado de Matt Damon, de Mark Wahlberg, e de Alec Baldwin (onde andava esse talento?). Os outros, Jack Nicholson e Martin Sheen, são veteranos, capazes de tudo. Seis homens numa viagem até à morte – só dois escapam ao destino e só um alcança o sossego através da vingança.
E mulheres? Como nos grandes filmes de Scorsese, autênticos hinos ao mundo masculino, há sempre uma mulher que encadeia, que seduz, que vicia. Tivemos Cybill Shepherd, Cathy Moriarty e Sharon Stone. Agora temos Vera Farmiga – doce, compreensiva mas também inflexível. Mulher de cabelos e olhos claros, decidida igualmente a encontrar um rumo. No fim de contas, talvez o tenha encontrado na justiça moral.

E o que escrever mais sobre um filme assim? Nada. O filme falará por si.

17 novembro 2006

Há planos assim – X

Flauta Mágica de Ingmar Bergman
Uma ópera filmada e uma homenagem ao público infantil e adulto.

Quem o viu e quem o vê



Romain Duris está a crescer. Devagar, devagarinho como convém aos verdadeiros profissionais. Da minha relação com o actor, destaco três momentos: o jovem quase imberbe, deslumbrado pela liberdade de uma estadia no estrangeiro; o criminoso compassivo que demonstra o quanto vivemos num mundo que está longe de ser maniqueísta e o filho – irmão perturbado pelas nostalgias de uma relação impraticável.

Romain Duris tem 32 anos. Nos últimos quatro anos, poder-se-ia dizer que o actor vindo de França tem invadido as salas de cinema da Europa. E ainda bem que assim é. Melhor ainda é vê-lo lado a lado com Louis Garrel, mais novo do que Duris e tão inolvidável desde o último Bertolucci. Juntos numa espécie de road movie pedestre, intitulado Dans Paris, em que Garrel vagueia por Paris ao mesmo tempo que Duris deambula pelo passado. Viagens que proporcionam aventuras sexuais a um e momentos de exaltação musical a outro, ao som de Kim Wilde.

Mas, antes das viagens, há momentos em que assistimos às discussões de Romain Duris com a namorada. Aí, parece que tudo se diz e que nada fica por dizer, como se assistíssemos à maior prova de frontalidade e de sinceridade entre dois amantes. Mas não. No amor, e isto parece ser um dos pontos fortes de Christophe Honoré, nunca se diz tudo, nunca se resolve tudo e nunca se ganham certezas perenes.

08 novembro 2006

Sorte – II

Ter sorte é estar frente a frente
com o Chico Buarque enquanto este canta

Com tantos filmes
Na minha mente
É natural que toda actriz
Presentemente represente
Muito para mim

01 novembro 2006

Sorte – I

Ter sorte é viver numa época em que posso aplaudir, ao vivo e a cores, o monumental talento e o enorme profissionalismo de
Luis Miguel Cintra.

Filoctetes, de Sófocles

De 19 de Outubro a 26 de Novembro de 2006
Teatro da Cornucópia, Lisboa
3ª a sábado às 21:30 e domingos às 17:00